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BRASIL
Sexta-feira, 07 de Agosto de 2009, 20h:18

QUERENDO A PAZ

Depois do bate-boca, aliados de Sarney admitem conciliação

CHRISTIANE SAMARCO
Da Agência Estado – Brasília, DF
O bateu-levou no Senado veio para ficar. Um dia depois do bate-boca entre o líder do PMDB, Renan Calheiros (AP), e o senador tucano Tasso Jereissati (CE), no plenário da Casa, os principais líderes da tropa de choque em defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se dizem "conciliadores", mas advertem: conciliação não significa abrir mão de responder e encurralar a oposição. Argumentam que ficaram seis meses apanhando calados, perderam terreno, e não se calam mais. Líderes e presidentes de partido que ensaiaram movimentos onteml, na tentativa de conter os ânimos no Senado, concluíram que a "pancadaria" vai mesmo se arrastar. Representante do PT no Conselho de Ética, o senador Delcídio Amaral (MS) foi um dos que tentou reabrir o diálogo com o PMDB e a oposição, mas parou depois do segundo telefonema. "Está todo mundo sob o impacto do último confronto e, como a crise é muito desgastante, os nervos estão à flor da pele", constatou, na certeza de que a melhor conduta seria deixar que a poeira baixasse e retomar as conversas a partir de segunda-feira. Sarney também avalia que o ambiente ficou radicalizado demais e está preocupado. Aos bombeiros que o procuraram nas últimas horas , admitiu que é preciso fazer uma costura política para tentar "resolver as cicatrizes". Mas ele não tomará a iniciativa de contatar os líderes para recompor o clima de civilidade. Deixou claro a vários interlocutores que já fez seu apelo pela pacificação, está magoado e não dará o primeiro passo O presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB, deputado Michel Temer (SP), já vinha conversando com líderes da base aliada e da oposição e resolveu prosseguir suas articulações ontem. "O que tenho feito é apelar pela serenidade", explicou Temer, depois de falar por telefone com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e com o líder petista Aloizio Mercadante. Temer sugeriu ao tucano uma ação conjunta dos presidentes de partido para pacificar o Senado e, junto aos correligionários, defendeu que processos e representações sejam conduzidos de forma técnica e regimental, para não agravar a crise. A dificuldade maior para costurar uma recomposição deve-se ao fato de que, na verdade, ninguém está arrependido do que disse ou fez nas últimas 48 horas. A oposição continua insistindo na tese do afastamento de Sarney e não vai desistir da luta que, avalia, pode desgastar o governo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo, por sua vez, entende que o jogo é a sucessão de 2010 e, por isto mesmo, os ataques não vão cessar. Governistas do Senado já fizeram chegar ao Planalto a informação de que o PSDB e o DEM estão dispostos a investir na crise. O objetivo seria colar a imagem de Sarney ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na esperança de desgastá-lo e, com isto, enfraquecer a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Neste cenário, a base aliada está preocupada com o personagem Fernando Collor (PTB-AL) na vitrine da crise. Para o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), a representação do PMDB contra o líder tucano Arthur Virgílio (AM) e os ataques ao " estilo Renan-Collor" ampliaram a crise, que antes estava focada na presidência do Senado.

Edição EDIÇÃO 16962




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