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BRASIL
Terça-feira, 20 de Maio de 2008, 20h:41

CASO DOSSIÊ

Depoimentos dados não convencem ninguém

Os pontos obscuros eram tantos que nem oposicionistas foram firmes na defesa de Fernandes nem os governistas na de Aparecido

LUCIANA NUNES LEAL e EUGÊNIA LOPES
Da Agência Estado – Brasília
Após as sete horas de depoimento dos dois servidores apontados como sócios no vazamento das informações de gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a oposição saiu ontem convencida de que conseguiu carimbar o dossiê como um produto da Casa Civil. A coleta dirigida dos dados, pinçados de um banco de dados com informações dispersas, foi a digital que revelou a paternidade do dossiê. Os governistas, sem muita ênfase, insistiram na versão do banco de dados. O assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) André Fernandes e o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires divergiram em vários pontos, mas, apesar das contradições, a base aliada deve derrubar amanhã o requerimento para realizar uma acareação. O depoimento de Aparecido continua hoje. Para sustentar a tese de que foi feito um dossiê na Casa Civil, André Fernandes, com a colaboração do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), enumerou detalhes técnicos que, segundo ele, indicavam que foram selecionados em uma única planilha dados específicos de gastos do ex-presidente. "Vê-se claramente que pinçaram-se dados. Banco de dados pressupõe informações genéricas. Dossiê pressupõe informações pinçadas", disse o tucano. Para ele, o fato de haver folhas numeradas na planilha é um indicativo de que foram destacados apenas "gastos exdrúxulos" "O campo denominado número de folha é denunciante. É completamente inverossímil só ter dados exóticos. Um banco de dados teria compras normais de arroz, feijão", atestou André Fernandes. MENTIRAS Os pontos obscuros eram tantos que nem oposicionistas foram firmes na defesa de Fernandes nem os governistas saíram convencidos de que Aparecido falou a verdade. "Foi um lamentável festival de mentiras. Não sinto firmeza nem sinceridade em nenhuma das partes", resumiu o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). "Olha que eu sou governista, mas custa-me acreditar que você tenha enviado sem querer. Talvez seu dedo tivesse em um dia de mau gosto ao enviar essa planilha", disse o deputado Sílvio Costa (PMN-PE), referindo-se a Aparecido. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) disse que "José Aparecido pareceu um homem alienado do mundo e abusou do direito de mentir". E acrescentou: "PT e PSDB se parecem muito e quando estão encrencados, fica um querendo prestar serviço ao outro." Os depoimentos praticamente repetiram o que os dois suspeitos falaram à Polícia Federal na semana passada. André Fernandes disse ter ouvido de Aparecido que o dossiê foi feito a pedido de Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, braço direito da ministra Dilma Rousseff. Aparecido isentou de responsabilidade Erenice e Dilma e afirmou jamais ter conversado com nenhuma das duas sobre o que chama de "banco de dados". Aparecido disse que enviou a planilha com gastos de FHC por "engano e descuido" e que queria apenas mostrar um texto sobre administração pública para André Fernandes.

Edição EDIÇÃO 16968




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