BRASIL
Quarta-feira, 24 de Outubro de 2012, 22h:17
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INFERNO ASTRAL
Demóstenes pode perder cargo
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu, por unanimidade, abrir processo administrativo disciplinar contra o ex-senador Demóstenes Torres. Os conselheiros entenderam que Demóstenes deve prestar esclarecimentos sobre as acusações de que utilizou seu cargo de procurador de Justiça do Estado de Goiás para favorecer os interesses da quadrilha do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Pela decisão de ontem, a investigação que vem sendo feita no Ministério Público de Goiás sobre a conduta do ex-senador será remetida ao CNMP para ser anexada ao processo administrativo ao qual ele responderá. Além disso, os conselheiros decidiram manter o afastamento de Torres do cargo enquanto durar o processo. Ao fim do processo, se decidirem aplicar a pena máxima ao ex-senador, os membros do conselho precisarão decidir se ele pode ou não ser demitido. Há um questionamento se o cargo de Demóstenes Torres, como procurador de Justiça, é vitalício o que impediria demissão por simples processo administrativo. O corregedor nacional do Ministério Público, Jeferson Coelho, entende que não e defende a demissão de Demóstenes. Segundo o corregedor, com a Constituição de 1988, os membros do Ministério Público (MP) puderam optar se queriam ter liberdade de se filiar a partidos políticos e concorrer a cargos eletivos e, assim, perder a vitaliciedade do cargo. Após a Constituição, para um membro do MP concorrer a cargo eletivo ele deve se exonerar da função que exerce. Na opinião do corregedor, quando Demóstenes optou por entrar na vida política, ele deixou de ter cargo vitalício e pode agora ser demitido ao fim do processo administrativo.Como ele fez a opção pelo regime anterior, me parece que não há vitaliciedade [do cargo], mas essa é uma discussão que será alvo de grande debate, avaliou. O prazo para a conclusão do processo administrativo é 120 dias, prorrogáveis por mesmo período. Demóstenes Torres pode ficar afastado do cargo por 60 dias, prorrogáveis pelo mesmo prazo. Se os conselheiros entenderem, ao fim do processo, que o cargo dele é vitalício, mas quiserem aplicar a pena máxima, eles deverão mover uma ação judicial pedindo a demissão do cargo.