BRASIL
Terça-feira, 01 de Julho de 2014, 20h:00
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BARBOSA-STF
'Deixo o Supremo com alma leve', reafirma Barbosa
Ministro Joaquim Barbosa diz não pensar em uma carreira política
MATHEUS LEITÃO
Da Folhapress Brasília
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, reafirmou ontem que deixa a Corte com o sentimento de dever cumprido e "a alma leve", mas sem pensar em uma carreira política no futuro. "A partir do dia em que for publicado o decreto da minha aposentadoria, de minha exoneração, serei cidadão como outro qualquer, absolutamente livre para tomar posições que entender necessárias e apropriadas", afirmou Barbosa. Apesar de aparecer com números expressivos nas pesquisas eleitorais de intenção de voto, Barbosa não pode se candidatar nas eleições 2014 por não ter se filiado a um partido político no prazo definido por lei. "Eu não tenho esse apreço todo pela política no dia a dia. Isso não tem grande interesse para mim", disse Barbosa. Perguntado sobre a possibilidade de candidatar-se no futuro - como no pleito de 2018 - ou em relação apoios políticos nas eleições de 2014, Barbosa afirmou não acreditar nessa hipótese. "A política não tem na minha vida essa importância toda, a não ser como objeto de estudo e reflexão", disse ele, antes de explicar a política deve ter um senso bem elevado, "examinada pela ótica das relações entre os estados e as nações". Perguntado sobre como deixava o STF, Barbosa afirmou que saia da Corte "absolutamente tranquilo, com a alma leve, [e com] aquilo que é fundamental para mim: o cumprimento do dever". Segundo ele, foi "um período de privilégio imenso, de tomar decisões importantes para o nosso país". "Não em razão da minha atuação individual, mas coletivamente, o Supremo Tribunal Federal, teve um papel extraordinário no aperfeiçoamento da nossa democracia", afirmou Barbosa. Primeiro negro a assumir a presidência do STF, Barbosa, 59, comandou a sua última sessão na mais alta corte do país ontem. Ele anunciou há um mês sua aposentadoria do Supremo, onde poderia permanecer até 2024, quando completará 70 anos - idade em que os ministros são obrigados a deixar o cargo. ÚLTIMO ATO Por maioria de oito votos a dois, o STF (Supremo Tribunal Federal) negou ontem pedido do PSDB para garantir a realização de protestos "ideológicos" dentro dos estádios durante a Copa do Mundo. A ação foi proposta pelo principal partido de oposição antes do início do torneio. O PSDB pedia que o Supremo derrubasse o artigo da Lei Geral da Copa que proibia a entrada nos estádios com faixas e cartazes "para outros fins que não o da manifestação festiva e amigável". Todavia, a maioria dos ministros da corte entendeu que a Lei Geral da Copa prevê a liberdade de expressão durante os jogos do Mundial. Na sua última sessão antes de aposentar-se da posição de ministro da corte, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, foi vencido - junto com o ministro Marco Aurélio Mello - pela maioria. Os dois votaram a favor da ação. Barbosa disse, em seu voto, que a Copa do Mundo foi realizada com financiamento público e "não faria sentido limitar a expressão" daqueles que custearam o evento. Relator da ação na corte, Gilmar Mendes defendeu em seu voto que a Lei Geral da Copa "não parece constituir barreira à liberdade de expressão". HISTÓRICO Primeiro negro a assumir a presidência do STF, Barbosa, 59, comanda sua última sessão na mais alta corte do país nesta terça. Ele anunciou há um mês sua aposentadoria do Supremo, onde poderia permanecer até 2024, quando completará 70 anos - idade em que os ministros são obrigados a deixar o cargo. Polêmico, Barbosa foi figura central do julgamento do mensalão, o mais rumoroso da história da corte. Apontado relator do processo em 2006, foi responsável por conduzir o julgamento a partir de 2012, quando assumiu a presidência do STF.