BRASIL
Quinta-feira, 10 de Julho de 2008, 20h:55
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DESMATAMENTO
Dados só sairão após revisão
HERTON ESCOBAR
Da Agência Estado - São Paulo
A sociedade terá de esperar um mês, em vez de 15 dias, para receber os relatórios mensais sobre desmatamento na Amazônia a partir de agora. Esse é o tempo que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) precisará para validar os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) com imagens de outros satélites e inspeções de campo, conforme determinação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O boletim de maio, que normalmente teria sido divulgado em meados de junho, ainda está sendo finalizado esta semana e deverá ser divulgado ontem, segundo o Inpe. Os dados de junho, por sua vez, estarão disponíveis apenas no fim do mês. O atraso só foi justificado oficialmente anteontem pelo MCT, por meio de nota: "Para tornar a informação mensal sobre o desmatamento mais precisa, o Ministério da Ciência e Tecnologia determinou ao Inpe que fossem feitos estudos de validação e qualificação dos dados, utilizando imagens de outros satélites e dados de campo, aprimorando os métodos científicos e garantido a confiabilidade e a comparabilidade dos dados." Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que a divulgação estava retida por ordem da Casa Civil. Procurada ontem pela reportagem, a Casa Civil informou que não tem os dados e que a divulgação será feita na terça-feira (15), conforme a nota do MCT. Organizações não-governamentais que atuam na Amazônia temem um retrocesso na política de transparência estabelecida pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que pediu demissão dois meses atrás. Segundo fontes próximas ao MMA, o governo sempre pressionou para que os dados fossem repassados à presidência antes de serem divulgados. Mas Marina era irredutível. "Sempre divulgamos os dados assim que eles ficaram prontos", disse Marina ontem à reportagem. "É fundamental que se mantenha a transparência do sistema, livre de influências políticas."