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BRASIL
Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015, 20h:09

DENUNCIADOS

Cunha é o principal político

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é o principal político a ser denunciado até agora pelo Procurador-Geral da República por conta da roubalheira na Petrobras. Cunha acusa o procurador de poupar o PT. A denúncia apresentada ao Supremo, que vai decidir se Eduardo Cunha vira réu ou não, pede a devolução de cerca de R$ 270 milhões. MANDATO São os primeiros políticos com mandato em vigor que o Ministério Público denunciou desde que a Operação Lava Jato começou, no ano passado. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pediu a condenação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pediu também o pagamento de US$ 80 milhões para restituir o que foi desviado e reparar os prejuízos causados à Petrobras. Uma das provas apresentadas pelo procurador contra o presidente da Câmara são os depoimentos de Júlio Camargo, um dos delatores do esquema de corrupção na Petrobrás. Primeiro, Júlio Camargo disse que nunca tinha tratado de propina com Eduardo Cunha, depois, em junho, mudou tudo e disse que não tinha falado do deputado antes por medo. Ele contou que pagou propina a Cunha. A denúncia explica o esquema: O lobista Júlio Camargo procurou Fernando Baiano, que era operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras, dizendo que empresas estrangeiras estavam interessadas em construir navios para a Petrobras. Baiano falou com o diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, que conseguiu contratos para construção de dois navios sem licitação. Em troca dos contratos Júlio Camargo recebeu uma comissão de US$ 40 milhões e distribuiu o dinheiro entre Baiano, Cerveró e o deputado Eduardo Cunha, que, segundo o Ministério Público, atuou para facilitar a contratação. Quando Júlio Camargo parou de pagar a propina, começou a ser pressionado. De acordo com a Procuradoria, quando deixou de receber, Eduardo Cunha fez requerimentos para questionar a contratação dos navios. Quem assinou foi a então deputada Solange Almeida, do PMDB do Rio, mas a Procuradoria afirma que os arquivos foram criados no login do presidente da Câmara. Júlio Camargo afirmou que também foi pressionado por Fernando Baiano e que em setembro de 2011 fez uma reunião com Eduardo Cunha e Fernando Baiano, no Rio de Janeiro, e que o deputado cobrou o pagamento do suborno. Segundo a procuradoria, depois disso, Cunha recebeu US$ 5 milhões e Baiano mais US$ 5 milhões. SÓCIO OCULTO Eduardo Cunha é apontado como sócio oculto de Fernando Baiano. A denúncia mostra que para lavar o dinheiro foram feitas 60 operações financeiras com envio de dinheiro para o exterior para contas em países como Uruguai, Estados Unidos e Suíça e teve até depósitos para a Igreja Evangélica Assembleia de Deus, em Campinas, para esconder a origem criminosa do dinheiro.

Edição EDIÇÃO 16967




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