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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 31 de Maio de 2008, 13h:48

CPI DOS CARTÕES

CPI termina e revela mais uma falsa "bomba"

Relatório que poupa Dilma Rousseff, não sugere nenhum indiciamento e joga toda a responsabilidade sobre Aparecido

CHRISTIANE SAMARCO
Da Agência Estado – Brasília
O encerramento da CPI dos Cartões nesta semana, com um relatório que poupa a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não sugere nenhum indiciamento e joga toda a responsabilidade pelo dossiê com gastos exóticos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre José Aparecido Nunes Pires - o ex-secretário de Controle Interno que disse ter deixado vazar o documento por engano - é mais um episódio que retrata o fenômeno dos falsos homens-bomba do PT. Aparecido, Waldomiro Diniz, Delúbio Soares, Silvinho Pereira, Jorge Lorenzetti, Freud Godoy e muitos outros emergiram no cenário da política tratada como polícia, todos foram personagens centrais em escândalos e todos foram cercados com operações-abafa que os levaram a proteger o governo e a serem protegidos por ele. Olhando Aparecido na TV do Senado, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) - o único homem-bomba do governo Lula - deu um diagnóstico irônico. "Como todas as outras, essa bomba já chegou ao Congresso desativada", disse Jefferson à reportagem, referindo-se ao fato de Aparecido ser a peça-chave no vazamento do dossiê com as despesas de Fernando Henrique, mas se negar a entregar a operação deflagrada na Casa Civil sob promessa de que será poupado na sindicância interna e no inquérito da Polícia Federal, o que facilita a retomada do emprego efetivo que tem, como funcionário de carreira, no Tribunal de Contas da União (TCU). O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), ex-petista, destaca não só a "capacidade de cooptação do governo", mas também a saída recorrente que todos os falsos homens-bomba usam: "Em tom pós-socrático, eles repetem à exaustão o ‘só sei que nada sei’." Nesses termos, conclui o deputado, as bombas petistas vão sendo convertidas em "foguetórios de má qualidade, que dão chabu o tempo todo". PROPINA A lista dos falsos homens-bomba foi aberta, em 2004, pelo assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, flagrado, em imagens gravadas por um circuito interno de TV, pedindo propina a um bicheiro. Protagonista do escândalo do mensalão, Roberto Jefferson, presidente do PTB, foi o único a detonar seu potencial explosivo. Não implicou diretamente o presidente Lula no escândalo, mas provocou a mais grave crise de seu governo. E, se por um lado teve seu mandato cassado, por outro arrastou consigo o ex-ministro José Dirceu - na época o petista mais poderoso da Esplanada dos Ministérios - e também líderes e dirigentes dos partidos da base aliada. Além de Dirceu, as denúncias de Jefferson derrubaram o então presidente do PT, José Genoino, e toda a cúpula petista. A assessoria de Dirceu na Casa Civil foi dizimada. Além disso, só em Furnas Centrais Elétricas três diretores caíram, acusados de desviar recursos da empresa para campanhas petistas. Em meio à série de suspeitos de receber e pagar mesada de cerca de R$ 30 mil, o presidente do PP, Pedro Corrêa (PE), acabou cassado pela Câmara por quebra de decoro.

Edição EDIÇÃO 16962




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