BRASIL
Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011, 19h:14
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PARANÁ
Coronel acusado de mortes se entrega
EVANDRO FADEL
Da agência Estado Curitiba
O ex-comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná coronel Jorge Luiz Thais Martins, de 56 anos, suspeito de envolvimento na morte de nove pessoas em Curitiba, entregou-se ontem, no início da tarde, no quartel-general da Polícia Militar, na capital paranaense, onde está detido. Martins era procurado desde a manhã de quinta-feira, quando a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em sua casa para coletar provas para o inquérito policial. A prisão temporária tem duração de 30 dias. Um dos advogados que defendem o coronel, Eurolino Sechinel dos Reis, reafirmou que seu cliente é inocente. Segundo ele, o inquérito foi "mal conduzido" pela polícia, que teria confiado apenas no depoimento de usuários de drogas e nem sequer cogitou de pedir quebra de sigilo telefônico do coronel. "Vamos provar que em determinados dias e horários ele não estava onde estão dizendo", afirmou o advogado. Segundo Reis, o pedido de soltura do coronel será protocolado segunda-feira (31) na Justiça. O delegado-chefe da Polícia Civil, Marcos Vinicius Michelotto, relevou as críticas feitas por Reis. "Não vamos entrar na discussão com o advogado, que está fazendo seu trabalho", disse. "Respeitamos o trabalho do advogado. Todas as provas serão levadas ao Ministério Público e ao Judiciário." A polícia confirmou ter trabalhado com informações de testemunhas. Além das nove mortes, cinco pessoas ficaram feridas e outras teriam escapado ilesas dos atentados. Segundo a delegada Vanessa Alice, que esteve à frente da Delegacia de Homicídios até o ano passado, somente com o interrogatório a que o coronel será submetido, a polícia poderá concluir se a atuação seria em vingança pela morte do filho. José Guilherme Marinho Martins, de 26 anos, foi morto no dia 22 de outubro de 2009, durante uma tentativa de assalto. Dois adolescentes presos sob suspeita de terem matado o filho do coronel foram soltos em meados do ano passado por falta de provas. Não há nenhum boletim em que eles reclamem terem sofrido qualquer ameaça. Os crimes que são atribuídos ao coronel começaram em agosto do ano passado e se estenderam até o início de 2011. "Há informações de que nas ameaças havia mais de uma pessoa, mas nos homicídios somente uma pessoa agia", disse a delegada. Os cinco inquéritos abertos para investigar as nove mortes ocorridas no bairro Boqueirão, mesmo local onde o filho do coronel foi morto, foram reunidos. "As provas se confundem em determinado momento", justificou a delegada. Todos os mortos eram usuários de drogas.