BRASIL
Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014, 19h:53
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DIREÇÃO
Coordenador rompe com arina e deixa campanha
Para Siqueira, Marina está longe de representar o legado de Campos
MARINA DIAS e RANIER BRAGON
Da Folhapress - Brasília
A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, afirmou ontem que a saída de Carlos Siqueira, secretário-geral do partido, da coordenação de sua campanha é "um mal-entendido que o próprio PSB precisa esclarecer". Siqueira disse que a candidata não representa o legado de Eduardo Campos e estaria tentando se apropriar do PSB. Marina se filiou em outubro ao partido após não conseguir montar a sua própria sigla, a Rede Sustentabilidade. "Ela não representa o legado dele [Campos], está muito longe de representar o legado dele. Como hospedeira da instituição, ela deveria respeitar essa instituição", afirmou Siqueira, um dos dirigentes partidários mais próximos do ex-governador de Pernambuco, que morreu em um acidente aéreo no dia 13. Ao chegar ontem à sede da legenda em Brasília, Marina disse que não queria fazer nenhuma interferência na coordenação de campanha que já havia sido concebida pelo então candidato Eduardo Campos. "Os coordenadores que o PSB tinha indicado estão mantidos e o PSB os manteve. E eu os mantive primeiro quando disse que organograma continuaria como havíamos concebido no arranjo anterior", afirmou. Segundo relatos, após Marina afirmar em uma reunião interna na quarta-feira que sua manutenção na função dependeria de uma indicação do PSB, Siqueira reagiu aos gritos e, na manhã de ontem, conforme a Folha de S.Paulo antecipou, anunciou sua saída da campanha. Segundo ele, a candidata o tratou com deselegância e grosseria. Para a nova configuração, Marina Silva indicou o ex-deputado Walter Feldman para o comando central da campanha, inicialmente ao lado de Siqueira. Bazileu Margarido, que ocupava a vaga, assumiu o controle do comitê de finanças para a disputa eleitoral. O PSB deve indicar nos próximos dias um novo nome para substituir Siqueira. SEMANA DA CANDIDATA Marina já confirmou presença em entrevista na bancada do "Jornal Nacional", da TV Globo, na quarta-feira. Um dia antes irá ao primeiro debate da disputa presidencial, na Band. A candidata viaja ontem a São Paulo para gravar programa eleitoral de TV. Hoje, após uma reunião sobre o programa de governo, segue para Recife, onde grava imagens para a propaganda dos candidatos de Pernambuco, compromisso que assumiu após a morte de Campos. A estreia de Marina como candidata será amanhã, em uma caminhada e ato em Recife, ao lado do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice em sua chapa. No domingo, volta à capital paulista para evento no Centro de Tradições Nordestinas, zona norte da cidade. SIQUEIRA "Quando se está em uma situação como hospedeira, como ela é, tem que se respeitar a instituição, não se pode querer mandar na instituição. Ela que vá mandar na Rede dela, porque no PSB mandamos nós", disse Carlos Siqueira. O rompimento entre os dois se deu porque Siqueira avalia que Marina quis impor nomes de sua confiança na campanha sem consultar o PSB. Na terça, Marina indicou duas pessoas de sua confiança para postos da coordenação. No encontro de ontem Marina preferiu não responder diretamente aos ataques do agora ex-coordenador da campanha, afirmando ter havido um "equívoco" e uma "incompreensão". "Estou muito tranquila com a minha consciência", afirmou, após repetidos questionamentos sobre o assunto. Na reunião, PSB, PPS, PRP, PPL e PHS aprovaram a substituição de Campos por Marina, tendo o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS) como vice. O presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, tentou minimizar a crise dizendo não haver ruído entre o comando do partido e o grupo político de Marina. Mas deu a entender que irá substituir todos os integrantes do PSB que participavam do comando de campanha de Eduardo Campos.