O Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem, por 12 votos favoráveis, nenhum contra e uma abstenção, a cassação do mandato do deputado José Janene (PP-PR). O parlamentar é o 15º e último a ser julgado por envolvimento no esquema do "mensalão". Nem mesmo o representante do PP no conselho, deputado Ildeu Araújo (SP), votou contra o pedido de cassação. O parlamentar preferiu se abster. O processo seguirá, agora, para o plenário da Câmara. O advogado de Janene, José Rollemberg, antecipou que irá recorrer à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e ao STF (Supremo Tribunal Federal), o que deve atrasar a votação em pelo menos duas semanas. Rollemberg acredita que seu cliente não teve amplo direito de defesa. Alegando problemas cardíacos, Janene não prestou depoimento ao Conselho, que decidiu julgá-lo à revelia. O relator do processo, deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), considerou os depoimentos de Janene à CPI do Mensalão e à Corregedoria da Câmara e avaliou que o deputado quebrou o decoro parlamentar quando foi beneficiado pelo valerioduto. Janene é acusado de ter recebido R$ 4,1 milhões das contas do empresário Marcos Valério Souza. O parlamentar, que na época era líder do PP na Câmara, nega o recebimento, mas admite que foram repassados R$ 700 mil, dinheiro que foi usado pelo partido para pagamento de advogados e não para compra de votos ou caixa dois. O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), disse que a expectativa é de que o processo seja votado no plenário em julho.