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BRASIL
Segunda-feira, 28 de Julho de 2014, 19h:55

DILMA

Conflito em Israel 'não é genocídio, é massacre'

Ao negar crise econômica, Dilma disse não aceitar especulações

A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que o conflito entre Israel e o grupo Hamas na Faixa de Gaza não pode ser chamado de genocídio, mas , sim, de massacre. Durante sabatina realizada pela Folha de S.Paulo, pelo portal UOL, pelo SBT e pela rádio Jovem Pan, Dilma lamentou a declaração do porta-voz israelense Yigal Palmor, para quem o Brasil é um anão diplomático. Segundo a presidente, a frase cria um clima ruim, mas descartou ruptura das relações diplomáticas. Eu acho que o que está ocorrendo na Faixa de Gaza é uma coisa perigosa. Não acho que é genocídio, mas acho que é um massacre. Não há genocídio, mas ação desproporcional. Tem que acabar aquela história de matar os três jovens israelenses. Mas não é possível matar crianças e mulheres de jeito nenhum. Lamento as palavras [do porta-voz israelense], elas produzem um clima muito ruim. Nesse caso, a gente tem de ser bastante prudente. Acho que a ONU (Nações Unidas) está completamente certa, disse. Não posso especular se [o porta-voz] falou em nome do governo. Mas a decisão de ONU de exigir cessar fogo imediato é altamente bem-vinda. É uma questão humanitária, é uma faixa muito pequena, muita mulher e criança morrendo. A gente sabe que numa guerra desse tipo, quem paga são os civis, acrescentou. INFLAÇÃO A presidente Dilma Rousseff afirmou que a inflação, no Brasil, vai ficar no teto da meta (6,5%), mas que não está descontrolada. Ao negar que o país viva uma crise econômica, Dilma disse não aceitar especulações no período eleitoral. Sempre que especularam, não se deram bem. Acho muito perigoso especular em situações eleitorais, afirmou. A direção do banco teve de se retratar e se desculpou pelo envio do relatório, alegando ter sido um erro de um analista que divulgou a recomendação sem consultar superiores. Dilma disse ser inadmissível aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro na atividade eleitoral e política do país. A pessoa que escreveu a mensagem [do Santander] fez isso sim e isso é lamentável. Isso é inadmissível para qualquer, eu diria qualquer, candidato. Seja eu ou qualquer outro, relatou ela, acrescentando que tomará uma atitude bastante clara em relação ao banco. Dilma confirmou ter recebido um pedido de desculpas da instituição, mas considerou o texto muito protocolar. MENSALÃO Na sabatina, a presidente disse que houve grande discrepância em relação à investigação do mensalão do PT, que resultou na condenação pelo Supremo Tribunal Federal de 25 réus, e do mensalão do PSDB, cujo processo atualmente tramita na Justiça de Minas Gerais. Nessa história da relação com o PT tem dois pesos e umas 19 medidas. Porque o mensalão [do PT] foi investigado. Agora, o mensalão mineiro [do PSDB], não. A candidata à reeleição insinuou que houve engavetamento no caso dos tucanos, depois dois réus renunciaram aos mandatos no Congresso como estratégia para levar os processos a julgamento na primeira instância da Justiça Federal. DINHEIRO NO COLCHÃO Dilma também foi questionada na sabatina sobre por que mantém R$ 152 mil guardados em espécie, segundo sua declaração de bens entregue à Justiça. Não vou te contar [se guarda o dinheiro no Palácio da Alvorada]. Sete anos da minha vida eu vivi fugida. Tinha muito tempo que eu dormia de sapato, porque é muito forte a experiência que você passa em determinados momentos. Eu tenho essa prática. Eu dou dinheiro para a minha filha. Mas eu gosto assim, afirmou a presidente, lembrando do tempo em que foi presa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985). PASADENA Ao ser questionada sobre a crise envolvendo a Petrobras, Dilma disse que não saiu desgastada do caso Pasadena. Pelo contrário, teria comprovado a adoção de "uma conduta muito decente" em todo o processo. A compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela estatal, em 2006, abriu uma crise política em seu governo quando a própria presidente revelou, neste ano, que o Conselho de Administração da Petrobras aprovou o negócio com base em um parecer tecnicamente falho. Dilma presidia o conselho à época da aprovação da aquisição.

Edição EDIÇÃO 16961




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