BRASIL
Sábado, 12 de Maio de 2007, 13h:06
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Celam deve reafirmar poder central do Vaticano
AMANDA ROSSI
Da Agência Estado - São Paulo
A 5ª Conferência Episcopal da América Latina e do Caribe (Celam), que será aberta hoje pelo papa Bento 16 no último dia de sua visita ao Brasil, deve reafirmar o poder central do Vaticano. O cientista da religião Afonso Soares, da PUC-SP, explica que a postura de centralização é adotada há cerca de 30 anos pela Igreja Católica e permeou todo o pontificado de João Paulo II. Ela também tem como característica a ênfase ao aspecto doutrinal: "O que fala mais alto é a obediência à doutrina da Igreja e a visão do que não é igreja como ameaça à Igreja." Na prática, porém, essa postura não é predominante na América Latina. No lugar dela, predominam no Continente estilos descendentes da Teologia da Libertação. Ou seja, práticas católicas que realizam trabalhos de base independentes do Vaticano, buscam ajudar os marginalizados, lutar contra injustiças e pregam o diálogo com culturas diferentes, atitudes consideradas por Roma como intervenções políticas nos Estados. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO A linha de Bento 16, que enfatiza a doutrina e que deve ser preconizada na Celam, acredita que a função da Igreja é converter radicalmente os fiéis ao catolicismo, de modo que eles sigam todos os preceitos estipulados pelo Vaticano. Por exemplo, tenham objeção ao homossexualismo, ao divórcio, a métodos contraceptivos, ao aborto e à pesquisa com células-tronco embrionárias. Esses católicos poderiam, segundo essa corrente, transformar a política. "Primeiro converte-se o coração, faz a pessoa ser um católico radical, e isto vai resultar em melhora da sociedade", diz Soares. Em pronunciamento a bispos brasileiros reunidos na Catedral da Sé, ontem à tarde, o papa reafirmou essa postura: "Ocorre formar nas classes políticas e empresariais um autêntico espírito de veracidade e de honestidade". Já a Teologia da Libertação, explica o cientista da religião, acredita que a função da Igreja é denunciar as injustiças, em vez de converter ao catolicismo. Apesar de ter mais força na América Latina, a Teologia da Libertação não tem representantes nos cargos da alta cúpula da Igreja. Por isso, não será preconizada na Celam. "É mais presente (nos países da América Latina), mas não nos bispos. Atualmente, essa não é a visão hegemônica na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)", considera Soares.