BRASIL
Sábado, 18 de Setembro de 2010, 11h:53
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'VEJA'
Casa Civil abriga esquema de propina
Sócio de Israel Guerra e outros três funcionários receberam R$ 200 mil cada
Da Agência Estado São Paulo
Com Redação
Um episódio envolvendo pagamento de propina a um sócio de Israel Guerra, filha da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, revela um esquema de corrupção dentro do Palácio do Planalto, informa uma reportagem da revista Veja publicada ontem. Segundo a revista, Vinicius de Oliveira Castro teria encontrado R$ 200 mil em seu gabinete. O dinheiro seria parte do pagamento por participação em um esquema de corrupção na compra do medicamento Tamiflu, comprado em caráter emergencial para o programa de tratamento da gripe A. De acordo com a reportagem, Castro teria encontrado o dinheiro na gaveta de sua mesa e se surpreendido. Um colega teria explicado que aquela era a "conta" do sócio de Israel pela participação no esquema. Castro disse ao tio, Marco Antonio Oliveira, então diretor de Operações dos Correios, que outros três funcionários da Casa Civil haviam recebido a mesma quantia. Erenice deixou a pasta da Casa Civil na quinta-feira, depois de receber denúncias de tráfico de influência e lobby envolvendo seu filho. NÃO SABIA A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou ontem de manhã em Campinas que não sabia da atuação de Israel Guerra no governo. Filho de sua sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra, Israel é acusado de fazer lobby em prol de empresas privadas no ministério comandado por Dilma. "Não tinha nenhum filho da Erenice na Casa Civil. O que tinha lá eram amigos dele [trabalhando no governo]. Se esses amigos cometeram algum delito, lamento a indicação deles, lamento profundamente", afirmou a candidata. A petista também disse que não teve conhecimento dos alertas que o consultor Rubnei Quícoli enviou ao e-mail da Casa Civil apontando a existência de um esquema de lobby operado no governo. "Não cheguei a tomar conhecimento", disse Segundo ela, os culpados "dessa história" - envolvendo Erenice Guerra - têm que ser rigorosamente punidos, independentemente de quem sejam. Sobre Erenice, ela afirmou que não se pode condená-la sem provas. "Qualquer ato que a desabone tem que ser provado, e não vice-versa. Eu aguardo, não faço pré-julgamento. A ministra Erenice trabalhou comigo e, enquanto trabalhou comigo, demonstrou muita capacidade." Dilma está em Campinas para participar de um comício que deve começar em poucos minutos. De manhã, ela tomou café com o ator Benício Del Toro, que está de passagem no Brasil. QUEDAS Em plena campanha presidencial, a saída de Erenice Guerra da Casa Civil foi uma das mais rápidas, se comparada aos outros oito ministros obrigados a deixar o cargo no governo Lula por denúncias de uso indevido de dinheiro público. Ela resistiu apenas cinco dias na pasta desde o surgimento das denúncias de lobby e tráfico de influência envolvendo seu filho Israel Guerra.