BRASIL
Segunda-feira, 25 de Agosto de 2014, 21h:13
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SERRA
'Cartel não é sinônimo de delito'
JOSÉ MARQUES
Da Folhapress São Paulo
Intimado pela Polícia Federal para depor sobre contratos que manteve com empresas do cartel de trens que atuou em São Paulo entre 1998 e 2008, o ex-governador do Estado e candidato ao Senado José Serra disse ontem que "cartel não é sinônimo de delito". "Você não pode olhar do ponto de vista moral. As empresas se articulam", afirmou. Em evento de empresários da comunicação, o ex-governador fez a afirmação ao ser questionado sobre monopólio de veículos de comunicação do Brasil. "Você não me perguntou isso, mas posso dizer aqui para a mídia: cartel virou sinônimo de delito, mas cartel não é nada mais nada menos que monopólio. São empresas que combinam um preço, não que tomam o preço. Esse é um fenômeno supercomum no mundo inteiro", disse o tucano. Serra acrescentou: "Quando os jornais do interior combinam de aumentar e diminuir preço do jornal, há cartel aí, porque não é possível que se aumente e diminua no mesmo dia. De repente em estação de metrô, em obra pública, diz que se formou um cartel e parece que roubo, mas é o mesmo que se dizer que se formou um monopólio, um oligopólio, um duopólio". A polícia quer saber se o tucano, quando era governador, atuou a favor das multinacionais CAF e Alstom numa disputa com outra empresa do cartel, a Siemens, como sugerem e-mails e o depoimento de um executivo à PF. Além de Serra, outras 44 pessoas serão ouvidas pela polícia, que investiga suspeitas de fraude em licitações em sucessivos governos do PSDB. O depoimento de Serra foi marcado para 7 de outubro, dois dias após o primeiro turno das eleições deste ano. No inquérito conduzido pelo delegado Milton Fornazari Júnior, três das sete concorrências sob investigação foram realizadas no governo José Serra (2007-2010).