BRASIL
Segunda-feira, 23 de Julho de 2012, 21h:06
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APURAÇÃO
Carlinhos Cachoeira está em Goiânia para audiência
Hoje serão ouvidas testemunhas de acusação e amanhã deve acontecer interrogatório com Cachoeira
O empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está em Goiânia. Ele foi levado ontem de manhã até a Polícia Federal de Goiânia, onde deve prestar esclarecimentos sobre a Operação Monte Carlo, onde o empresário é acusado de explorar jogos ilegais e corromper autoridades políticas e empresários. As audiências envolvendo Cachoeira estão programadas para hoje e amanhã. Hoje serão ouvidas testemunhas de acusação e amanhã deve acontecer um interrogatório com Cachoeira. As audiências serão na 11ª Vara Federal, onde corre processo em que Cachoeira e mais 80 pessoas são réus, sob acusação de crimes como corrupção e formação de quadrilha. Além disso, um perito indicado pela Justiça Federal fará um relatório para o juiz responsável pelo caso. A partir da avaliação, o magistrado poderá decidir se Cachoeira permanece preso preventivamente ou poderá responder ao processo em liberdade. "Estamos preocupados com o estado de saúde dele", disse a advogada Dora Cavalcanti, que defende Cachoeira. Augusto Botelho, um dos advogados de Cachoeira, informou que esteve no início da tarde com seu cliente e que ele aguarda ser ouvido sobre as acusações a que responde. "É a primeira vez que ele vai falar sobre as acusações da Operação Monte Carlo, mas é só o início do processo", informou Botelho, que está em Goiânia acompanhando seu cliente. A defesa afirma que, neste momento, não deve fazer um novo pedido de liberdade provisória para o empresário. Pedidos semelhantes já foram rejeitados pela Justiça. AVALIAÇÃO MÉDICA Carlinhos Cachoeira passou ontem por duas avaliações psiquiátricas: uma por seu médico particular e outra por um perito criminal. As avaliações foram um pedido da defesa de Cachoeira. Primeiro, ele foi atendido pelo psiquiatra Antônio Frota, por cerca de meia hora. A mulher do empresário, Andressa Mendonça, esteve na sede da PF e entregou um bilhete ao marido. No papel, escrito à mão, dizia que o amor entre eles "era mais forte que tudo" e dizia que estava rezando pelo marido. Um homem também pediu que policiais entregassem uma bíblia a Cachoeira. O CASO Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão. Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.