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BRASIL
Sábado, 29 de Novembro de 2008, 12h:17

PRESIDÊNCIA

Candidato do baixo clero faz campanha na Câmara

Prestes a se lançar oficialmente na disputa pela presidência da Câmara, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI), 40 anos recém-concluídos, desponta hoje como o candidato preferencial do chamado "baixo clero", composto por deputados com pouca expressão na Casa. Nessa condição, Nogueira usa e abusa do velho jeito de fazer campanha, com farta distribuição de mimos, como garrafas de champagne Veuve Clicquot, vinhos chilenos, chocolates finos, flores e gravatas. Sem esquecer, é claro, da defesa intransigente dos interesses corporativistas dos parlamentares. Tanta benevolência lhe rendeu o apelido de "o bom companheiro", em uma referência ao ex-deputado Wilson Campos (PSDB-PE) que, em 1997, também tentou tirar de Michel Temer (PMDB-SP), agora novamente candidato, a presidência da Câmara. Passados 11 anos, Nogueira se espelha no mestre tucano, que fazia campanha distribuindo presentes e defendendo o corporativismo. Não por acaso, um dos 119 votos obtidos por Campos foi dado por Nogueira, na época em seu primeiro mandato. Temer acabou vencendo com o número mínimo de votos exigido: 257. Em 2005, Nogueira foi um dos mentores da candidatura à presidência da Câmara do ex-deputado e hoje prefeito eleito de João Alfredo, Severino Cavalcanti (PP-PE). Conhecido como o "rei do baixo clero", Severino renunciou ao mandato de deputado debaixo de uma saraivada de denúncias, a começar pela comprovada cobrança de uma propina para permitir o funcionamento de um restaurante dentro da Câmara. "Sou uma pessoa totalmente diferente do Severino. As pessoas sabem fazer essa diferença", diz Nogueira, que está no quarto mandato de deputado federal e no oitavo ano consecutivo em que ocupa cargo Mesa Diretora da Câmara.

Edição EDIÇÃO 16967




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