BRASIL
Quarta-feira, 18 de Julho de 2007, 21h:15
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Caixa preta será analisada na 2ª
CÉLIA FROUFE
Da Agência Estado - São Paulo
As caixas-pretas da aeronave da TAM, que sofreu acidente em São Paulo anteontem, podem estar danificadas, mas serão levadas para serem analisadas nos Estados Unidos. A afirmação foi feita ontem pelo Brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). "As caixas não estão em perfeito estado devido ao choque e à temperatura. Levaremos para serem analisadas nos Estados Unidos e então podemos dizer todos os dados da operação da aeronave", explicou. "Pretendendo começar a levantar estes dados na segunda-feira", disse. Kersul Filho explicou que, normalmente, as aeronaves levam 11 segundos para percorrer determinado trecho da pista porque estão em um processo de desaceleração. "Neste caso (da aeronave da TAM de ontem), ela percorreu o mesmo trecho em um tempo muito menor (3 segundos), mas é um dado que não deve ser considerado isoladamente", ponderou. Ele acrescentou que ainda não é possível afirmar que houve derrapagem da aeronave na pista de Congonhas. Segundo o brigadeiro, o Cenipa não apura causas do acidente, mas contribui para as investigações. "Seria prematuro e irresponsabilidade citar as causas agora", afirmou. Segundo ele, o Centro levantará os fatores que contribuíram para o acidente: como condições da pista, da aeronave e a averiguação dos gravadores que estavam no avião. Kersul Filho disse ainda que o Cenipa só poderá dizer como a tripulação estava capacitada e as condições do fator material (construção da aeronave). "Devemos analisar todos esses fatores e, a partir deles, determinar se a aeronave estava nos parâmetros de pouso, peso e de utilização dessa pista." A ação inicial do Cenipa, segundo ele, se resume em levantar o maior número de informações: "onde a aeronave tocou inicialmente na pista, isso já temos. Já temos também onde saiu da aérea de pouso, quando foi para a grama e também de onde se desgarrou e voou até colidir com edifício da própria empresa". O Superintendente de Engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, disse em entrevista coletiva que a pista principal do aeroporto de Congonhas deverá ficar fechada pelo menos até a próxima sexta-feira para que a Polícia Federal possa periciar o local e apurar informações para seu inquérito sobre o acidente. Schneider Filho afirmou ainda que a pista principal poderá ser reaberta apenas para operações com tempo seco. Em caso de chuva, os vôos seriam operados apenas pela pista auxiliar, que possui grooving.