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Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

BRASIL
Segunda-feira, 19 de Junho de 2000, 21h:00

SEQUESTRO/MORTE

Cai o comandante do Batalhão de Operações Especiais do Rio

Oito dias após o sequestro que chocou o país, o comandante que coordenou a operação foi exonerado

O desfecho do sequestro de 10 passageiros de um ônibus na zona sul do Rio, há oito dias, provocou ontem mais uma baixa no comando da segurança pública do Estado, com a exoneração do comandante do Bope (Batalhão de Operações Especiais), tenente-coronel José Penteado. O comandante do Bope coordenou a operação contra o sequestro, que terminou com a morte de uma refém e do sequestrador -este asfixiado por policiais, depois de detido. O anúncio foi feito durante a cerimônia de posse do novo comandante da Polícia Militar fluminense, coronel Wilton Soares Ribeiro, 54. Ribeiro substitui o coronel Sérgio da Cruz, afastado do cargo no dia seguinte ao sequestro, pelo governador Anthony Garotinho. O novo comandante do Bope será o tenente-coronel Venâncio Alves de Moura, 46, que disse ter ficado " surpreso com a indicação”. Ele está na PM há 15 anos. Criado para ser uma tropa de elite, o batalhão de 230 homens não tem espaço adequado para treinamento e usa armamentos defasados. O novo comandante do Bope passou os últimos dois anos exercendo o cargo de chefe do Departamento de Transportes do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O governador Anthony Garotinho foi à cerimônia de posse do novo comandante da PM, embora não estivesse previsto em sua agenda. Ele não quis dar entrevista ao deixar a cerimônia, encerrada com um minuto de aplausos de oficiais para o ex-comandante Sérgio da Cruz. Cruz, 55, recebeu o cumprimento de dezenas de policiais militares e amigos. Ele deu entrevista ao lado dos parentes, que choraram durante seu discurso de despedida. "Saio com a consciência tranquila. Foram 34 de serviço dedicado somente à corporação”, disse. Perguntado se considerava sua exoneração injusta, ele declarou: "Só quero dizer uma coisa: Nem na chacina de Vigário Geral, nem na chacina da Candelária, o comandante foi exonerado”. As chacinas da Candelária e de Vigário Geral, cometidas por policiais militares, aconteceram em julho e agosto de 1993, respectivamente. Na primeira foram mortos oito meninos de rua e na segunda 21 moradores da favela, na zona norte do Rio. O novo comandante da PM, coronel Ribeiro, reconheceu que a operação de resgate dos reféns foi errada. "Foi um erro de execução, um dos momentos mais terríveis para uma corporação que possui ótimos serviços prestados durante 191 anos de existência”, disse. Sobre a mágoa de seu antecessor, Ribeiro se mostrou surpreso. "Não acredito que o meu amigo coronel da Cruz esteja magoado”. Em relação ao ao futuro da Polícia Militar sob seu comando, o coronel foi evasivo. "Vamos trabalhar muito, com humildade e seriedade, coisas que nunca faltaram à PM”. O secretário de Segurança Josias Quintal, que é coronel reformado da PM, também assistiu à cerimônia. Quintal prometeu mudanças no Bope, que o novo comandante da PM já comandou por dois anos. "Vai haver uma reavaliação. Esses episódios nos levam à reflexão. O coronel Wilton conhece muito o Bope e pode fazer essas mudanças a partir de agora”, disse Quintal. O secretário de Segurança confirmou que semana passada dois agentes do FBI (a polícia federal norte-americana) visitaram os órgãos de segurança do Rio de Janeiro. "Vamos firmar um acordo de qualificação técnica, mais voltado para as áreas de treinamento de investigação, que é uma das especialidades do FBI”, afirmou.

Edição EDIÇÃO 16962




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