BRASIL
Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010, 20h:01
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DEPOIMENTO
Bruno nega envolvimento no sumiço de Eliza Samudio
MARCELO PORTELA
Da Agência Estado Contagem
O goleiro Bruno Fernandes negou ontem, em depoimento à Justiça, qualquer relação com o desaparecimento ou suposto assassinato de sua ex-amante Eliza Samudio, de 25 anos. Ele afirmou que a jovem foi a sua casa no Rio de Janeiro e depois ao sítio do atleta em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, por vontade própria e que em nenhum momento as vidas dela e do bebê que seria fruto do relacionamento do casal estiveram ameaçadas. "Eliza e Bruninho nunca correram perigo", disse Bruno, em depoimento à juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do Tribunal do Júri de Contagem, também na região metropolitana da capital mineira. E assumiu que é de "99,9%" a chance de ser o pai da criança. "Só falta o exame de DNA. Apresentei para todo mundo como meu filho", afirmou. O jogador disse ainda que aceitou cuidar do bebê por sete dias, a pedido de Eliza, que iria a São Paulo resolver problemas, após receber R$ 30 mil do atleta no sítio de Esmeraldas, em 9 de junho. Bruno alegou, inclusive, que ficou preocupado com a viagem. "Perguntei se ela precisava de alguma coisa, se estava sendo ameaçada de morte, mas ela disse que só precisava que eu cuidasse da criança", afirmou. No dia seguinte, segundo o goleiro, a ex-amante foi levada por seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o "Macarrão", e por um primo de 17 anos do atleta até um ponto de táxi. Ele contou que a última vez que viu Eliza foi na hora que ela saía do sítio, quando despediu-se dele, do bebê que estava no colo do jogador e de outro primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, também acusado do crime. Em seu depoimento, o jogador atribuiu as manchas de sangue de Eliza e de seu primo de 17 anos encontradas em uma Land Rover do goleiro a uma troca de agressões entre o rapaz e ela, que estaria xingando Bruno e pedindo R$ 1,5 mil para pagamento de contas. O adolescente já foi condenado por envolvimento no sequestro e assassinato de Eliza. Após as agressões, Eliza teria subido o valor para R$ 50 mil. O carro era dirigido por Macarrão, que também era responsável pelo controle dos gastos do atleta. Foi ele, de acordo com o depoimento, quem convenceu a vítima a aceitar R$ 30 mil. Segundo Bruno, o menor, que morava com ele, Macarrão e a noiva do goleiro, a dentista Ingrid Oliveira, no Rio de Janeiro, causava uma série de problemas por ser usuário de cocaína. Bruno afirmou que o rapaz "tinha distúrbio mental, ficava muito nervoso, talvez pela dependência química". "Só um psicopata inventaria o que ele inventava", afirmou.