BRASIL
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009, 21h:21
A
A
AIDS
Brasileiro é o mais conscientizado
LÍGIA FORMENTI
Da Agência Estado Brasília
Pesquisa do Ministério da Saúde sobre comportamento sexual do brasileiro revela a existência de uma equação perigosa: o número de relações eventuais aumentou, mas o uso de preservativos caiu. O estudo, o maior já feito sobre o assunto no País, mostra uma tendência de queda do uso de camisinha em várias ocasiões, seja em relações com parceiros casuais, fixos ou eventuais. A exceção fica por conta da primeira relação sexual. "Não podemos fechar os olhos para essa realidade", afirmou o ministro José Gomes Temporão, ao comentar os resultados do trabalho. O número de quem teve mais de cinco parceiros no último ano mais que dobrou de 2004 para 2008. Passou de 4% para 9,3%. Nesse tipo de relação, o uso de preservativos caiu 5 pontos percentuais no período: de 51,6% para 46,5%. REDUÇÃO Ainda não há como saber as razões que levam a redução do uso do preservativo. O ministro, porém, arrisca uma justificativa: uma espécie de banalização da doença, fruto da melhoria da qualidade de vida dos pacientes submetidos a tratamentos antiretrovirais. "Mas o Brasil não vai vencer a doença só pelo tratamento", observou. A coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids Mariangela Simão, afirma que a recomendação número um para que preservativos sejam usados qualquer que seja a relação. "No caso de relações estáveis, o assunto tem de, no mínimo, ser discutido " Ela sugere, por exemplo, que casais negociem, pelo menos, o uso de preservativos no caso de a relação ocorrer com outros parceiros. Tal recomendação não é à toa. O trabalho indica que 16% dos brasileiros já traíram seus parceiros. O comportamento foi admitido por 21% dos homens, ante 11% das mulheres.