BRASIL
Sábado, 02 de Outubro de 2010, 19h:39
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ELEIÇÕES-2010
Brasil vai às urnas para decidir o futuro
Os eleitores vão às urnas hoje ao fim de três meses de uma campanha morna, despolitizada, sem programas e sem emoção - a não ser os atropelos da Justiça
TOMAS OKUDA
Da Agência Estado - São Paulo
Pela sexta vez seguida, desde o fim do regime militar, o Brasil irá hoje às urnas escolher um presidente - e com ele 27 governadores, uma nova Câmara, dois terços do Senado e 27 novas assembleias estaduais. São 135,8 milhões de eleitores que, entre 8 e 17 horas, decidirão em 5.565 cidades o futuro do País e de uma multidão de 22.555 candidatos. CAMPANHA Os eleitores vão às urnas ao fim de três meses de uma campanha morna, despolitizada, sem programas e sem emoção - a não ser os atropelos da Justiça, que adiou a decisão sobre candidaturas "ficha suja" e só na última hora disse como o cidadão se identificará nas seções eleitorais. ESCOLHA Na mais crucial das escolhas, a de quem sucederá os oito anos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convivem o clima de "quase certeza" da vitória de sua candidata, Dilma Rousseff (PT), e a esperança de seus rivais diretos, José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), de que ela não mantenha a pequena maioria apontada nas pesquisas e a decisão vá para um segundo turno. SÃO PAULO Não é muito diferente a situação no maior colégio do País, o de São Paulo, onde 30,3 milhões de votantes - 22% do total - decidirão se o tucano Geraldo Alckmin leva no primeiro turno, apesar do crescimento, nos últimos dias, do petista Aloizio Mercadante.Um dos pontos marcantes da campanha foi que nunca antes um chefe da nação envolveu-se tão ferrenhamente na defesa de seu nome preferido. Outro, que as mulheres são o principal colégio eleitoral, com 70,3 milhões de votos, 5 milhões a mais que os homens. É intrigante, também, o crescimento do eleitorado no exterior: pelo mundo afora, vão votar hoje 200,1 mil brasileiros, 132% a mais do que em 2006. MODERNIZAÇÃO Por fim, as eleições revelam um País que avança e se moderniza, mas continua injusto e desigual. Em 61 cidades vai valer um moderno sistema de identificação biométrica dos eleitores. Mas, pelo Brasil afora, entre os que vão usá-lo, 64 milhões - pouco menos da metade - são analfabetos ou têm o 1º grau incompleto. EXTERIOR Os eleitores brasileiros que moram na Nova Zelândia iniciaram ontem a votação para a escolha do presidente da República às 16 horas (horário de Brasília). A partir das 18 horas, foi a vez dos eleitores que moram na Austrália, seguidos pelos residentes no Japão e na China, informa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os últimos eleitores no exterior a começar a votar, a partir das 12 horas de hoje, estão em San Francisco (EUA). Conforme levantamento do TSE, mais de 200 mil eleitores brasileiros residentes no exterior devem votar para escolher o novo presidente da República. Há eleitores brasileiros domiciliados nos cinco continentes, mas os três maiores eleitorados dos 154 municípios no exterior são Nova York (EUA) com 21.076; Lisboa (Portugal) com 12.360; e Boston (EUA) com 12 330 eleitores. Os Estados Unidos da América têm o maior número de eleitores no exterior. São mais de 66 mil eleitores residentes em dez cidades daquele país. O TSE alerta que o eleitor regularmente inscrito no exterior, que não puder comparecer à sua seção eleitoral no dia do pleito, deverá justificar sua ausência. Se não votar e deixar de justificar sua ausência, além das demais penalidades previstas para quem não vota no território nacional, o eleitor residente fora do país ficará sujeito, ainda, à proibição de requerer qualquer documento perante a repartição diplomática a que estiver subordinado, enquanto não se justificar.