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BRASIL
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009, 20h:52

DEFESA

Brasil deve pagar mais que outros países por submarinos

WILSON TOSTA
Da Agência Estado – Rio
O Brasil deverá pagar mais do que Índia, Malásia e Chile por cada um dos quatro submarinos convencionais Scorpène que adquiriu da França mediante acordo que será oficializado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy em 7 de setembro. Levantamento do Estado indica que, enquanto embarcações desses países custaram até 500 milhões de euros cada, os submersíveis adquiridos pelos brasileiros poderão sair por quase 600 milhões de euros por unidade. A Marinha diz que a compra é encarecida pela transferência de tecnologia, mas ela também entrou no contrato com os indianos. O acordo com os franceses será discutido amanhã (18) na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em meio a uma guerra comercial global entre as empresas DCNS (francesa) e HDW (alemã), que fez submarinos para o País nos anos 80, mas desta vez foi preterida. A conta é relativamente simples. Segundo o Comunicado Nº 16/2009 da Comissão de Financiamentos Externos do Ministério do Planejamento, publicado no Diário Oficial da União de 12 de agosto, o valor do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) é de 6.790.862.142 de euros. Ele inclui a construção de quatro submarinos Scorpène diesel-elétricos; do casco do futuro submarino a propulsão nuclear; do estaleiro em que as embarcações serão feitas; de uma nova base naval; e a transferência de tecnologia. O mesmo texto diz que 1.868.200.000 de euros serão empregados para construir o estaleiro e a base. Isso deixa para o submersível nuclear e os quatro Scorpènes 4.922.662.142 de euros. A divisão, porém, não pode ser diretamente por cinco, porque a embarcação atômica é, supostamente, mais cara que os submarinos convencionais, que são bem menores e menos complexos, do ponto de vista tecnológico. Um submarino nuclear francês da classe Barracuda, completo, por exemplo, custará em média 1,3 bilhão de euros - o primeiro da série de seis deverá ser mais caro, perto de 1,9 bilhão. Se o casco e a parte não-nuclear do submarino atômico brasileiro chegar ao dobro do preço médio do Barracuda, custará 2,6 bilhões de euros. Com isso, "sobrariam", para os Scorpène, 2 322.662.142 de euros - 580 milhões de euros para cada um, 45% a mais do que os 400 milhões de euros pagos pela Índia, em um contrato de 2004 para adquirir seis embarcações. A Marinha do Brasil divulgou nota em que lembra que a proposta francesa para o Prosub brasileiro inclui quatro submarinos convencionais, com respectiva transferência de tecnologia de construção; a transferência de tecnologia de projeto de submarinos, inclusive de seus sistemas de combate e de controle automatizado; o projeto e a construção de um submarino de propulsão nuclear, muito mais caro que os convencionais; e o projeto e a construção de um estaleiro para fabricação de submarinos de propulsão nuclear e convencionais e de uma nova base naval. O texto da Marinha também alerta que os 6,8 bilhões de euros serão financiados ao longo de 20 anos.

Edição EDIÇÃO 16962




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