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BRASIL
Segunda-feira, 01 de Junho de 2009, 20h:21

OCEANO ATLÂNTICO

Avião francês desaparece com 228 a bordo

A lista com o nome das vítimas - incluindo 58 brasileiros - não foi divulgada ontem. Os passageiros e tripulantes compõem um mosaico de 32 nacionalidades

ANDREI NETTO
Da Agência Estado – Paris
O voo 447 (Rio-Paris) da Air France saiu do Aeroporto do Galeão, na capital fluminense, às 19h30 de domingo e seguia desaparecido até pelo menos as 20 horas de ontem. As autoridades já tratavam o caso como "catástrofe aérea", a pior da história da Air France e a primeira com um modelo Airbus A330. Trata-se ainda do primeiro acidente grave nesta rota, considerada segura, em mais de sete décadas. Os 228 passageiros e tripulantes - incluindo 58 brasileiros - têm "escassas perspectivas" de serem localizados, nas palavras do presidente francês, Nicolas Sarkozy. As buscas, entretanto, serão intensificadas hoje em "uma zona identificada com uma margem de erro de algumas dezenas de milhas náuticas", perto da metade do caminho entre Natal, no Brasil, e Dacar, no Senegal. Os passageiros e tripulantes compõem um mosaico de 32 nacionalidades, incluindo 61 franceses, 26 alemães, 9 italianos, 6 suíços, 5 britânicos e 5 libaneses. O grande número de nacionalidades causou confusão à tarde, em especial porque mais de uma dezena de passageiros tem dupla cidadania. Em Paris, a notícia do desaparecimento do Airbus foi divulgada no fim da manhã. Até o início da tarde, os painéis do Aeroporto Internacional de Roissy-Charles de Gaulle apontavam o voo AF 447 como "em atraso". De acordo com informações oficiais, divulgadas pelo diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, até as 3h33 (22h33 no Brasil) não havia anomalias no voo. Naquele momento, o avião estava a 565 km de Natal, no Brasil, e voava a 840km/h e a uma altitude de 11 mil metros. "A última mensagem foi habitual. O controle aéreo brasileiro foi informado de que o avião deixava o espaço aéreo brasileiro. Nesse momento, estava em velocidade de cruzeiro", explicou o executivo. Na sequencia, o Airbus viajaria cerca de 2h30 em uma região sem controle de radares, sobre o Oceano Atlântico, até ingressar no espaço aéreo do Senegal. Às 4h13 (23h13 de Brasília), contudo, o sistema automático do avião passou a enviar, por ondas de rádio, uma dezena de mensagens nas quais acusava a pane de vários objetos elétricos da aeronave. O envio dos sinais se estendeu por 4 minutos, até que o sinal foi perdido. "Essas mensagens técnicas assinalaram uma série de situações imprevistas a bordo da aeronave. Depois delas, não houve mais trocas. É provável que pouco após essas mensagens tenha se produzido o impacto no Atlântico", informou Gourgeon. INSTABILIDADE Segundo a companhia aérea, o avião enfrentava uma área de instabilidade, marcada por forte turbulência e tempestades elétricas. "Não é possível estipular até aqui se houve um vínculo entre as condições meteorológicas adversas e o acidente", reforçou o executivo. Não houve novas comunicações da tripulação, que era bastante experiente. O comandante possuía 11 mil horas de voo, incluindo 700 em aeronaves do mesmo modelo do Airbus desaparecido. Um dos copilotos possuía 3 mil horas de voo e o outro, 6.600 horas de voo. O A330 estava equipado com motores da General Eletric CF6-80E e era considerada novo - começou a operar no dia 18 de abril de 2005. A última visita de manutenção em hangar ocorreu em 16 de abril deste ano. Ainda não está definido a quem caberá a investigação das causas do acidente, se ao Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil da França ou se ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa). Enquanto isso, os governos da França e do Brasil, com apoio da Espanha e do Senegal e de satélites do Pentágono, mobilizaram forças na localização da aeronave. O Ministério da Defesa francês informou que pediu o apoio do Pentágono. Ninguém do governo americano quis comentar o caso ontem. BUSCAS A Marinha brasileira iniciou as buscas com um navio patrulha que saiu de Natal, uma fragata e um helicóptero de resgate de Salvador e uma corveta de Maceió. As buscas brasileiras se concentram em uma área pouco distante do Arquipélago de Fernando de Noronha, na direção da Europa. No leque de hipóteses para explicar o desaparecimento do Airbus A330 da Air France, chegou-se a levantar ainda o influência de um raio e até um improvável atentado terrorista. A área onde o Airbus provavelmente caiu é de águas profundas, abismos oceânicos de até 4 mil metros. Essa massa de água bloqueia os sinais emitidos pela caixa-preta e pelos sensores de emergência. Se isso ocorreu, haverá grande dificuldade de resgate. A Organização Internacional de Aviação Civil (Icao) alerta que a investigação poderá levar anos para ser concluída e se tornar uma das mais caras envolvendo a busca por destroços. A lista com o nome das vítimas não foi divulgada ontem. A justificativa foi de que isso só será possível quando todas as famílias dos passageiros forem informadas. A Air France enfrentava dificuldades para isso porque muitos passageiros não preencheram a ficha de embarque, que não era obrigatória. (Colaboraram Bruno Tavares, Mariana Barbosa, Diego Zanchetta, Pedro Dantas, Alexandre Rodrigues e Clarissa Thomé)

Edição EDIÇÃO 16962




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