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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 12 de Abril de 2008, 13h:21

CASO ISABELLA

Ainda não há consenso sobre laudo final

A polícia quer saber detalhes do telefonema que tia recebeu quando estava em um bar, que informava sobre a morte da sobrinha

BRUNO TAVARES
Da Agência Estado – São Paulo
Peritos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico-Legal (IML) trabalham para concluir até o fim da próxima semana os laudos sobre a morte de Isabella Nardoni. Oficialmente, porém, evitam dar prazo para o fim dos trabalhos. O diretor do Núcleo de Física do IC, Adilson Pereira, confirmou anteontem que alguns exames periciais e laboratoriais estão prontos, mas se recusou a divulgar os resultados. "Só iremos divulgá-los depois que a equipe se reunir e chegar a um consenso sobre o laudo final." O Núcleo de Crimes Contra a Pessoa do IC emitirá um relatório, consolidando análises feitas pelos núcleos de Física, Biologia, Bioquímica e Identificação Criminal. LIGAÇÃO Questionado sobre afirmações do promotor Francisco Cembranelli, que disse ter informações que ligam o pai e a madrasta de Isabella ao crime, Pereira fugiu da polêmica. "A autoridade policial, os peritos e o promotor trabalham em conjunto. Ele (Cembranelli) acompanha o andamento do inquérito e tem acesso a dados. De nossa parte, não trabalhamos com laudos preliminares." Pereira negou que o retorno dos peritos ao apartamento do casal Nardoni - foram seis visitas ao imóvel em menos de duas semanas - tenha sido motivado por falhas nas primeiras coletas de provas. "Voltamos para tirar dúvidas e isso será feito sempre que necessário." LAUDO O diretor do Centro de Exames, Análises e Pesquisas do IML, Carlos Alberto de Souza Coelho, disse que o laudo necroscópico está adiantado, restando a conclusão dos exames toxicológicos e patológico, que revelarão a causa mortis. Sabe-se que Isabella foi vítima de tentativa de asfixia. Mas legistas ouvidos pelo Estado não acreditam que isso tenha sido suficiente para matá-la. Ao que tudo indica, a criança foi jogada do 6º andar em agonia. O impacto pode ter selado a morte de uma vítima já em estado grave. LONGE DOS FILHOS O pai e a madrasta da menina Isabella Nardoni, 5 - Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24 - passaram a noite na casa do pai de Nardoni, no Tucuruvi, na zona norte de São Paulo. Eles foram libertados sexta-feira, após nove dias de prisão por terem sido apontados pela Polícia Civil como suspeitos da morte da menina. Após deixarem as delegacias, os dois foram levados para o IML para fazer exames de corpo de delito - procedimento de praxe na liberação de pessoas que estiveram detidas. DEPOIMENTOS Na próxima semana, o delegado Calixto Calil Filho, que comanda as investigações sobre a morte da menina, deve intimar a tia de Isabella e irmã de Alexandre, Cristiane Nardoni, a depor. A polícia quer saber detalhes do telefonema que ela recebeu quando estava em um bar, que informava sobre a morte da sobrinha. Desde o crime, há 13 dias, a Polícia Civil ouviu o depoimento de mais de 40 testemunhas e a perícia retornou diversas vezes ao local do crime, o prédio em que o pai de Isabella mora, e aos arredores - as imagens feitas pelo circuito interno de vigilância do prédio da frente, que revelariam o horário em que a família de Isabella chegou ao prédio, são analisadas. O inquérito, atualmente, corre em segredo, por determinação do delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP (Carandiru), que preside o procedimento.

Edição EDIÇÃO 16968




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