BRASIL
Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011, 21h:44
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SALÁRIO MÍNIMO
AGU apoia reajuste por meio de decreto
O projeto do salário mínimo, aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado, deve ser sancionado pela presidenta Dilma Rousseff na próxima segunda-feira
DÉBORA ZAMPIER
Da Agência Brasil Brasília
A Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu ontem parecer em que se manifesta favoravelmente ao reajuste do salário mínimo por meio de decreto presidencial entre 2012 e 2015. O despacho, que já foi encaminhado à presidenta Dilma Rousseff, afirma que não há usurpação de poderes no fato de o Executivo e não o Legislativo ser o responsável por estabelecer os novos valores nos próximos três anos. O projeto do salário mínimo, aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado, deve ser sancionado pela presidenta Dilma Rousseff na próxima segunda-feira. A matéria estabelece que o Executivo deve elaborar o decreto com o reajuste baseado na recomposição da inflação e na variação do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. O governo classificou o projeto como uma política de valorização do salário mínimo. Segundo o consultor-geral da União que assinou o parecer da AGU, Arnaldo Godoy, a metodologia do reajuste já foi exaustivamente debatida no Congresso Nacional e não há espaço para desmandos do Executivo. A lei fixa os critérios que serão utilizados pelos decretos supervenientes em matéria de salário mínimo. Bem entendido, não haverá por parte do Executivo o exercício de qualquer fórmula de discricionariedade, diz o parecer. A oposição incluindo partidos como o PPS, o DEM e o PSDB já afirmou que entrará com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a constitucionalidade da matéria caso a presidenta Dilma não vete o artigo que permite o reajuste por decreto. Alguns ministros da Suprema Corte já afirmaram anteriormente que o assunto deve causar polêmica. Em tese, é um problema. A ordem natural das coisas é a aprovação pelo Congresso [Nacional] para se ter lei no sentido formal e material, afirmou o ministro Marco Aurélio Mello. SARNEY O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), voltou a afirmar ontem que não questiona o direito de a oposição ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o artigo do PLC 1/11 que permite ao Executivo reajustar o salário mínimo por decreto a partir de 2012. Em entrevista ao Blog do Senado, o senador lembrou que recorrer ao Supremo é um direito de todo cidadão, assegurado pela Constituição. Todo mundo no Brasil, não só a oposição, mas cada cidadão, pode ir ao Supremo discutir qualquer problema, destacou Sarney, lembrando que foi ele que, como presidente da República, convocou a Assembleia Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1988. O presidente do Senado voltou a observar, no entanto, que os repetidos recursos ao Judiciário demonstram uma deterioração da política brasileira. Os partidos políticos não existem, a capacidade de negociação desapareceu tanto, que as coisas que podiam ser decididas pelos políticos, eles levam para os outros poderes decidirem. Quem identificou isso pela primeira vez foi o ministro Nelson Jobim, quando foi presidente do Supremo. Ele disse: "Estão judicializando a política. Senhores políticos, resolvam seus problemas, não joguem para nossas costas resolver".