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BRASIL
Quarta-feira, 24 de Setembro de 2014, 19h:28

DESMATAMENTO

Aécio lamenta a não adesão do Brasil

GISELE BARCELOS, GIULIANA VALLONE e ISABEL FLECK
Da Folhapress – Uberaba-MG e Nova York
O senador Aécio Neves, candidato à Presidência da República pelo PSDB, disse ontem que lamenta a decisão do Brasil de não aderir à Declaração de Nova York sobre Florestas, que prevê cortar o desmatamento em 50% até 2020 e zerá-lo até 2030. Ele afirmou ainda que foi surpreendido com a notícia. CAMPANHA "Lamento a posição da presidente da República", afirmou o tucano, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde realizou atos de campanha ontem. Ele disse que o país poderia ter aderido ao acordo porque já existem várias ações nos Estados para reduzir o desmatamento, e por isso, o Brasil deveria ter "tomado a frente" neste processo. A declaração de Nova York é o principal resultado da Cúpula do Clima, convocada pelo secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon. DILMA A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que o Brasil não foi consultado sobre a Declaração de Nova York sobre Florestas. "Não é uma declaração da ONU. Foi apresentada por três países: Alemanha, Reino Unido e Noruega, algumas ONGs e empresas privadas internacionais. Por que o Brasil se recusou a assinar? Primeiro porque não nos consultaram", disse em entrevista a jornalistas em Nova York, após discursar na abertura da Assembleia-Geral da ONU. A Declaração de Nova York é mais uma carta de boas intenções do que um plano prático para cortar pela metade o desmatamento até 2020 e zerá-lo até 2030. O Brasil não aderiu à declaração por discordar, segundo a reportagem apurou, do compromisso de desmatamento zero. A restrição maior do Planalto diz respeito à ausência de distinção, no texto, entre desmatamento legal e ilegal. MANEJO Como no Brasil se permite manejo sustentável de florestas para extração de madeira e derrubada de áreas para agricultura, o país não poderia aderir ao desmatamento zero. Isso implicaria, na visão do governo, impedir derrubadas que hoje são permitidas por lei. "Além de não terem nos consultado, eles propõem algo que é contra a lei brasileira, que permite que façamos o manejo florestal. Muitas pessoas vivem do manejo, que é o desmatamento legal, sem danos ao meio ambiente. [A declaração] Contraria e se contrapõe à nossa legislação", afirmou. Organizadores do documento dizem que tentaram engajar o Brasil na discussão, mas sem sucesso.

Edição EDIÇÃO 16968




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