BRASIL
Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007, 18h:59
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VOTAÇÃO DA CPMF
Adiamento da sessão é única arma
CHRISTIANE SAMARCO
Da Agência Estado Brasília
Em apuros, por falta de votos para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo chega hoje ao dia da votação da proposta no plenário do Senado com a alternativa apenas de apelar para o adiamento para evitar a derrota. Um dos principais articuladores do Planalto no Senado admitiu ontem que há "um interesse muito grande" no adiamento. Segundo o líder, o governo, "que já não tinha os 49 votos necessários para aprovar a proposta", viu sua situação política piorar ainda mais na segunda-feira, por conta de duas baixas no time dos aliado: a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), e o senador Flávio Arns (PT-PR), ambos hospitalizados. O senador José Sarney (PMDB-MA) afirmou ontem que sua filha Roseana não tem condição alguma de voltar ao trabalho hoje, para ajudar o Planalto a aprovar a CPMF. A senadora, que fraturou o pulso esquerdo em três lugares na sexta-feira, passou por uma cirurgia para corrigir o problema no sábado de manhã e ainda está internada no hospital "Sarah Kubitschek", com o braço imobilizado e sob tração. Depois de um final de semana em que sentiu dores fortíssimas e teve de tomar morfina, Sarney insistiu ontem que ela não tem como deixar o hospital nas próximas 48 horas. "Ela vai passar mais uns dois ou três dias internada". A despeito do cenário desfavorável ao Planalto, o senador Sarney declarou-se otimista quanto à aprovação da CPMF por conta de um "acordo institucional" com o PSDB que estaria em curso. "Faz-se a política, a oposição debate, mas existem o bom senso e as razões de Estado. Tirar R$ 40 bilhões do governo de dezembro para janeiro é um problema", argumentou o peemedebista. "No final, se resolve. Vai haver um acordo". Ele acredita que a discussão do "acordo" esteja se dando em torno da diminuição da CPMF e da concessão de isenções. "Não tem acordo nenhum do PSDB com o governo. A bancada é contra a CPMF", contestou, da tribuna do Senado, o líder tucano Arthur Virgílio (AM). "Não vai ter apelo mais que resolva Saí do plano terrestre para o espiritual e estou falando com Mário Covas direto. Meu conselheiro é ele", disse o líder, referindo-se ao ex-governador tucano morto em 2001. Virgílio garante que, além da inspiração de Covas, tem o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-governador Geraldo Alckmin. "Todos estão fechados com minha posição contrária à CPMF", garantiu o líder, para concluir: "Qualquer negociação, se tiver que haver negociação, só ocorrerá depois da votação".