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BRASIL
Quinta-feira, 08 de Maio de 2008, 21h:05

LULA E DOROTHY

Absolvição mancha imagem no exterior

VANNILDO MENDES e LEONENCIO NOSSA
Da Agência Estado – Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem esperar que seja revista a decisão do Tribunal do Júri de Belém que inocentou na terça-feira, em segundo julgamento, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, do assassinato da freira Dorothy Stang. Mesmo deixando claro que presidente da República não pode "dar palpite" em decisões da Justiça, declarou que a absolvição, após o fazendeiro ter sido condenado num primeiro julgamento, em maio de 2007, mancha a imagem do Brasil no exterior. "Uma parte da sociedade começa a ficar em dúvida sobre esse julgamento", declarou Lula, após a solenidade em que sancionou, no Palácio do Planalto, a lei que evita julgamentos repetitivos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O presidente informou que os advogados da Advocacia-Geral da União (AGU), que deram assessoria à Promotoria no primeiro julgamento, analisam medidas que possam reverter a sentença de absolvição. RAPOSA DO SOL Com elogios ao patriotismo dos índios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu ontem o argumento do general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, de que a política indigenista é "caótica" e que a criação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, na fronteira de Roraima com a Guiana e a Venezuela, ameaça a soberania do território nacional. Em discurso durante o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS), no Palácio do Planalto, o presidente chamou de "bravata" a tese dos que vêem riscos de ocupação estrangeira. "Quem fala isso não fala com muita convicção", disse. "Acho que quem quer as coisas de verdade, não tem que ficar fazendo bravata", completou. "Se ela foi nossa desde que aqui Cabral pôs os pés, por que nós agora temos de ter preocupação com a Amazônia?" Ao lado do líder indígena Gecinaldo Sateré, Lula observou que os índios já defendiam o território amazônico antes da chegada dos militares à região. Na avaliação do presidente, os "confrontos" nos debates sobre o assunto resultam da ignorância e da falta de informação. "Muitas vezes, somos contra ou a favor, sem saber muito, pelo que ouviu dizer", afirmou.

Edição EDIÇÃO 16962




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