BRASIL
Segunda-feira, 04 de Janeiro de 2010, 23h:42
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RÉVEILLON
455 morreram nas rodovias federais
VANNILDO MENDES
Da Agência Estado Brasília
Com 455 mortos - 4% mais do que no ano passado - e 5.693 feridos em 8.882 acidentes, o Brasil teve o réveillon mais violento de todos os tempos nas rodovias federais Segundo o balanço da Operação Fim de Ano, divulgado ontem pela Polícia Rodoviária Federal, quase todos os indicadores pioraram. Houve crescimento elevado no número de feridos (18,2%) e de acidentes (24,2%) em relação ao ano anterior. "Do ponto de vista do trânsito, não houve razões para comemorar a virada", lamentou o inspetor Alexandre Castilho, porta-voz do órgão. As fortes chuvas, que caíram sobretudo no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, combinadas com maior volume de tráfego nas estradas e a tradicional imprudência dos motoristas foram os fatores que mais contribuíram para a estatística. "Onde choveu, houve problema", afirmou Castilho. As regiões Sul e Sudeste, que registraram maior precipitação pluviométrica, concentraram 68% do total de acidentes e 50% das mortes. Por Estado, lideraram o ranking dos acidentes Minas Gerais (1.626), Paraná (1.083), Santa Catarina (1.034), São Paulo (701) e Rio de Janeiro (662). Detentor da maior malha viária do País, Minas também liderou o número de mortos (89), seguido por Paraná (41), Bahia (33), Santa Catarina (26) e Pernambuco (26). O único índice com variação positiva foi o de letalidade dos acidentes, que cedeu 3%. A taxa caiu de 1 morto a cada 16 acidentes para 1 morto a cada 20. Empurrada por uma economia reaquecida e os incentivos fiscais ao consumo, a indústria automobilística produziu 7,3% mais em 2009 e a frota nacional saltou de 55 milhões para 58,8 milhões de veículos. Nas estradas, conforme a PRF, o movimento médio subiu mais de 20% em relação ao ano passado. Muitos viajantes eram jovens inexperientes ou motoristas de ocasião, também chamados viajandões, que colocam o carro na estrada poucas vezes por ano. O reaquecimento da economia no final do ano levou carros particulares a dividirem o tráfego com mais ônibus de turismo e veículos pesados, abarrotados de bens de consumo a caminho dos centros urbanos. No Natal, as estradas registraram movimento maior em direção ao interior, mas no réveillon os destinos mais procurados foram os balneários do litoral. A operação mobilizou 9 mil policiais nos 66 mil quilômetros de rodovias entre 19 de dezembro a 3 de janeiro. CHUVA A chuva não deu trégua em algumas regiões. Em Minas, por exemplo, choveu incessantemente entre 22 e 31 de dezembro. Em São Paulo, durante o Ano Novo, tempestades provocaram pontos de alagamento e afundamento de pista. No Rio, as chuvas foram ainda mais impiedosas. Além dos 26 pontos de interdição nas BRs 116, 040 e 393, os temporais também provocaram saídas de pista e atropelamentos. As duas ocorrências mais graves registradas em Minas, que deixaram sete mortos num intervalo de 50 quilômetros da BR-356, foram provocadas sob influência das chuvas. Mas a componente imprudência também esteve presente. Em 25 de dezembro, em Estrela do Sul, por exemplo, quatro pessoas morreram numa ultrapassagem em uma curva fechada, em meio a temporal. No veículo que provocou o acidente, os policiais encontraram uma lata de cerveja. Em Monte Carmelo, no mesmo dia, outro acidente deixou mais três mortes, entre os quais duas crianças. No Paraná, três graves desastres, em regiões distintas, também trouxeram a marca dos temporais que desabaram em todo o Estado. No mais grave deles, três amigas que seguiam pela BR-163 para uma festa de réveillon na região de Guaíra, oeste paranaense, morreram depois que o veículo em que viajavam bateu de frente numa carreta. Na BR-277, perto de Irati, e na região metropolitana de Curitiba (BR 116), dois acidentes em ultrapassagens mataram quatro pessoas.