Hoje é para ser um dia feliz: o dia em que vamos escolher o nosso prefeito. Porém, confesso que não é este o sentimento que estou carregando comigo. Nos últimos dias, em que deveríamos celebrar com discussões de propostas e ideias os rumos da nossa cidade, fomos brindados com um circo de horrores. Nas últimas horas, factoides produzidos pelos marketings das duas campanhas é que tendem a decidir a mais disputada eleição da prefeitura de Cuiabá dos últimos tempos. Ao invés de escolhermos nosso governante por suas virtudes em como conduzir a coisa pública, o faremos pelo simples fato de que um soube sobrepor o outro em artimanhas preparadas por especialistas, que utilizam pesquisas de opinião, para que o candidato fale e faça exatamente o que a população quer ouvir e ver do seu escolhido. O que conheço do Lúdio Cabral e do Mauro Mendes me faz crer que eles são bem melhores que o espetáculo produzido para elegê-los. Ao analisarmos o que foi dito e feito, ao longo da campanha, não há muita diferença entre eles. Daí a melhor explicação para a disputa ser tão parelha nesta reta final. No quesito propostas, ambos conhecem bem os problemas da cidade e, de forma genérica, apresentam soluções. O problema é que na ânsia de produzir o melhor programa eleitoral para o público eleitor eles desfilam uma série de promessas que, convenhamos, não será cumprida por nenhum dos dois. Ao pularmos para os apoiadores políticos dos candidatos, também não há muita diferença ente eles. Nos dois palanques há pessoas que são escondidas e outras que são expostas como modelo. Novamente o marketing entra em ação e tenta promover as virtudes dos que apoiam o candidato e os defeitos do que estão com o adversário. Neste quesito ninguém vai conseguir unanimidade. Infelizmente, até no último ponto desta minha triste e simples análise, os dois candidatos estão empatados: o da baixaria. Na minha cabeça é inconcebível que o futuro de nossa cidade seja decidido por um beijo ou por um choro num quarto de hospital. É isso que Cuiabá merece? Quero crer que não. Sempre defendi neste espaço que devemos fazer a nossa escolha e não nos omitir neste momento. Já disse que respeito quem vota em branco, mas sou pragmático demais para protestar desta maneira. Se eu não escolher, alguém escolherá por mim e aí, sim, terei que me conformar com o que vier. Portanto, mesmo aborrecidos com esta disputa eleitoral, não deixem de votar. E, o mais importante, amanhã quando o sol raiar, anunciando um novo dia, levantemos com o espírito renovado para cobrar daquele em que depositamos as nossa esperanças quer ele seja o prefeito eleito ou o futuro líder de uma saudável oposição para a construção de uma cidade melhor, mais digna e com moradores capazes de elegerem homens de bem para seus cargos públicos. Não esqueçamos: todo povo tem o governante que merece e nós não somos diferentes. * Gustavo Oliveira é diretor de Redação do Diário.
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