ARTIGO
Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008, 20h:16
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LORENZO FALCÃO
Voto obrigatório... argh II
Rouba, mas faz e Aos amigos tudo, aos inimigos a força da lei. Duas frases que gravitam em torno do ideário político mato-grossense. Vocês acham que há condições da gente se empolgar quando candidatos e os próprios eleitores aceitam passivamente uma situação desta? Eu não, tô fora. Como já tasquei por aqui em artigo anterior, prefiro pagar a multa que, me parece, é de três reais, mas não perderei meu tempo votando. Desta forma vai também o meu protesto contra o voto obrigatório. Estas linhas são a seqüência do meu pensamento e da minha participação nesse processo eleitoral que aí está. Quando o assunto é política, normalmente, a primeira coisa que me vem à cabeça é a célebre frase do filósofo francês Jean Baudrillard, falecido ano passado: A política é a arte de inserir o mal na ordem natural das coisas. Sinal que não somos apenas nós, terceiro-mundistas, que padecemos com a má qualidade da classe política. Tenho uma grande lista de argumentações para não votar. E todos os motivos nem caberiam aqui. Uma das coisas que mais pega diz respeito ao fato de que somos sabedores que irregularidades, esquemas, falcatruas, favorecimentos e outras cositas (sem citar as escabrosas) campeiam livremente por aí. Ninguém é mais ingênuo ao ponto de acreditar que os homens públicos que nós mesmos elegemos são cem por cento puros. As denúncias, algumas infundadas, verdade seja dita, pipocam e conspurcam praticamente todas as instituições. Uma hora é a Câmara dos Vereadores que está sob suspeita, noutra é a Assembléia Legislativa, o Congresso, e os próprios executivos (federal, estadual e municipal) têm lá seus respectivos calcanhares de Aquiles. E essa lenga-lenga vem se arrastando ao longo de anos, décadas e até séculos. E os políticos que ali estão, é claro, sabem um pouco mais sobre essa verdade cruel, de falácias e falcatruas, do que nós, meros mortais. E você já viu algum candidato, depois de eleito, bater duro nesses esquemas? Mesmo que ele se recuse a participar, a molhar a mão, acaba cometendo pelo menos o pecado da conivência. Então, meu camarada e minha camarada, não quero contribuir, em hipótese alguma para a continuidade desse chove não molha. Como os candidatos, também estou em franca campanha. Campanha contra o voto obrigatório. Respeito você, porém, se prefere votar. Se for esse o seu caso, não se iluda, entretanto, com a imagem do seu candidato. Atente mais para a reputação dele. E não se esqueça de que os políticos, quando fazem a coisa certa, não fazem nada além da obrigação. Se fazem errado, pau neles!!! LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário