ARTIGO
Quarta-feira, 27 de Março de 2013, 20h:44
A
A
*ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ
Violência em pauta
Até agora, nunca vivi os extremos de dar um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair dela. Sempre briguei e muito pelo que julguei que valesse a pena. Desisti de qualquer briga, quando convencido de que era a hora. Para este artigo, imaginei falar sobre o deboche que candidatos do Enem impuseram à avaliação/2012. Em duas redações foram inseridos textos estranhos ao tema: receita de miojo e hino do Palmeiras. Mas só pensei. Ainda preciso dialogar com leitores dos artigos centrados no episódio lamentável que envolveu integrantes da Rotam-PM/MT e um grupo de acadêmicos da UFMT. Pacificamente, os estudantes manifestaram-se, em uma via pública de Cuiabá, no início deste mês. A demanda aliás, justíssima era por melhorias na assistência estudantil. Novamente, divergências não faltaram sobre minhas considerações no artigo A base pela casa. Mas, agora, além de divergências, com as quais lido bem, constatei incompreensões do que escrevi, ainda que eu me esforçasse para escrever com lógica. Incompreensões me inquietam. Para evitá-las, estruturo meus artigos com predominância de enunciados curtos e na ordem direta. Quando eles são mais longos e com inversões frasais, cuido da pontuação. Encurto até os parágrafos! Tudo para me comunicar bem. Pouco adiantou, pelo menos para alguns leitores do artigo citado. Nele, em seu epílogo, sugeri que a base da PM/MT estranhamente instalada em área federal (UFMT) fosse deslocada para outro ponto das imediações. Geograficamente, há lugares mais estratégicos para atuação da PM naquela violenta região. Por isso, para tentar deixar claro (termo destituído de quaisquer preconceitos), destaquei pontos das considerações feitas por um leitor, a quem chamarei de X. Ele catalisa interesses de outros leitores. De início, X, pretendendo ser irônico, diz que estou certo, pois lá (UFMT) é um local dos estudantes e estudantes e PM não se bicam, porque esses (sic.) tiram a liberdade daqueles, apesar de existirem policiais estudantes.... Na sequência, surge a primeira flechada de X, que me pergunta: ...devemos expulsar os alunos policiais militares também? Pergunto porque se é para retirar a PM da UFMT devemos a (sic.) retirar por completo, ou não?" Não! Economize sua bala de borracha. Eu não propus a expulsão da PM de lugar algum. Você leu errado. Educadamente, sugeri que pensássemos sobre a possibilidade de sua remoção geográfica daquela base. Só isso. Logo, os estudantes militares, com o quais, particularmente, mantenho respeitosa relação acadêmica, devem continuar normalmente sua trajetória. Fui claro? Dessa incompreensão, X vai ao devaneio. Por achar que eu quisesse ...acabar com a PM em Cuiabá, em MT e, quiçá no Brasil, X me desafia a redigir uma lei para desfazer a PM. Francamente! Se fosse da minha competência, eu reforçaria a importância das PMs como parte importante do complexo de segurança no Brasil, que é um dos países mais violentos do mundo. A segurança assim como a saúde, a educação etc. é uma das políticas públicas. Logo, ela é obrigação do Estado e direito do cidadão. Todavia, integrantes (este foi o termo usado nos meus artigos) mal preparados das PMs não podem agir com violência em situações banais. Foi o caso. Logo, ao invés de segurança, fomentou-se a insegurança pela violência. E contra isso, o silêncio é uma irresponsabilidade, quando não conivência. Por isso, não me calei. No mais, parabéns aos acadêmicos que já conseguiram a maior parte de suas reivindicações. *ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ - dr. em Jornalismo/USP; prof. de Literatura/UFMT