A morte da diarista! Seria o título de seriado de TV? Ou, quem sabe, um romance policial? Ou, talvez, uma peça de teatro?... Não! Nada de ficção! Infelizmente, é a mais pura realidade. A realidade de uma capital, de um estado, de um país que não sabe mais o que fazer com a crescente onda de violência. Políticas sociais equivocadas e na contramão da razão, ou da lógica, beneficiam mais o marginal, o bandido, que o cidadão de bem. O preso tem direito a isso e aquilo. À sombra da impunidade, dificilmente vai preso. E quando acontece, por culpa da lei, e não dos que as aplicam, são colocados em liberdade. Esta semana, uma diarista foi covardemente assassinada logo após deixar o filho no colégio e ao chegar ao ponto de ônibus para ir ao trabalho. Seu dia, ou melhor, sua vida, foi interrompida por um dos muitos marginais que agem no bairro Mappin, em Várzea Grande. Não foi e nem será, infelizmente, a última vítima da realidade de uma das capitais mais violentas do País. É preciso, e com urgência, a aplicação de leis mais severas para conter o ímpeto da marginária no dia de hoje. Ao ponto do radicalismo. Trocar o velho jargão de que o lugar de bandido é na cadeia, para o de bandido bom é bandido morto. Para o futuro, mas com ação desde agora, seria tirar da miséria e das ruas as nossas crianças, com políticas sociais com início, meio e fim. Criança marginalizada hoje é sinônimo de adulto violento amanhã. Não adianta iniciar um projeto sócio-educativo ou cultural que muda daqui a três ou quatro anos, por conta das eleições políticas. Cada governante entra com a sua plataforma. Daí quatro anos vem outro com outra plataforma. Resultado: tudo se perde pelo caminho. O direito à vida decente não pode ficar na dependência deste ou daquele político. Não existe outra saída: vamos investir nos nossos jovens para que eles tenham acesso à educação, à saúde e que saiam das ruas. Que as ações sejam para a criação de seres humanos, cumpridores do dever e que, acima de tudo, saibam respeitar o próximo. De preferência que esta educação venha de dentro de casa, com a estruturação e continuidade da família. Caso isso não seja possível, que as instituições responsáveis pela sua educação sejam sérias e transmitam respeito, segurança e um bom aprendizado. E tudo isso não diz respeito apenas às autoridades. É dever de todos nós. Vamos trabalhar por um futuro melhor. E lembre-se que hoje, uma criança faminta e abandonada à própria sorte será, amanhã, raras exceções, um grande marginal. E que a morte desta diarista não seja em vão. Que não se transforme em mais um causo dessa violência que impera em Cuiabá. ROSIVALDO SENNA é editor jornalista em Cuiabá
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