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ARTIGO
Quarta-feira, 30 de Maio de 2012, 21h:10

GABRIELLA ALCALÁ GURJÃO

Utopia ou conscientização?

Falada por muitos e entendida por poucos a sustentabilidade, tem sido muito articulada sem o devido conhecimento e abrangência que envolve o tema. O fato é que viver de modo sustentável envolve mais do que usar energia solar ou banir sacolas plásticas, ações que a própria mídia vem veiculando ao termo sustentável. Sustentabilidade envolve mudança de estilo de vida, conhecimento, e avanços tecnológicos. E as cidades? Como tornar as cidades sustentáveis? Cidades são feitas por pessoas e para pessoas, e somente mudam quando as pessoas e seus pensamentos mudam. Cidade sustentável é uma cidade que possui uma política de desenvolvimento urbano, de tal modo que promova medidas para proteger o meio ambiente natural e construído, garantindo a função ambiental e social da cidade. Admitir o desenvolvimento sustentável como um componente fundamental do desenvolvimento urbano, significa a compatibilidade constitucional do desenvolvimento urbano, com o direito das gerações atuais e futuras ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. É necessário o apoio de todos para uma cidade sustentável, principalmente na mudança de pensamento em que se faz baseada no tipo de urbanização dessas cidades, onde cada vez mais se desconsideram as leis, principalmente as que restringem o uso e ocupação de determinadas áreas que desempenham função ambiental. O Poder Público, responsável pela aplicação das leis, tem privilegiado muito os empreendimentos privados, empresas, a industrialização, considerando apenas isso como sendo a “urbanização” das cidades, em prol de uma sociedade capitalista, que visa apenas os lucros. Outras dimensões são desconsideradas, como a questão ambiental na cidade, com a preservação das APPs, a necessidades de preservação e criação de áreas verdes, e medidas para se recuperar e evitar a poluição de rios e córregos, decorrentes de detritos tóxicos despejados nos mesmos sem tratamento algum. Muitos crimes ambientais são cometidos, pois os órgãos competentes deixam que se faça, sendo cegos perante as enormes taxas e impostos pagos ao governo, resultado da construção e implantação dessas empresas. Os problemas decorrentes dessa união de governo e interesses econômicos (de grandes grupos) levaram a exploração irracional de recursos naturais e energia, poluição atmosférica e hidrográfica, e devastação ambiental. Não basta buscar o desenvolvimento econômico, a partir da atuação de grandes empresas, desconsiderando normas ambientais, com o discurso de garantir emprego e renda aos cidadãos. Deve haver uma preocupação com o meio ambiente local integrada às propostas de geração de emprego e renda. Esse desenvolvimento se refere principalmente aos resultados dessa relação na qualidade de vida e no bem-estar da sociedade, tanto presente como futura. A construção sustentável, projetada para o reuso de água, maior conforto térmico das edificações e espaço urbano, e o respeito às áreas permeáveis mínimas, devem fazer parte da sociedade, independe de conhecimento e classe social. Por isto, atividade econômica, meio ambiente e bem-estar social devem constituir a base da sociedade, e cada um deles possuir igual importância na organização das cidades, não devendo se desconsiderar, ou ponderar sob algum aspecto mais do que outro, como vem acontecendo em muitas cidades. Atualmente existem programas, como o Programa Cidades Sustentáveis, que objetivam mobilizar e oferecer ferramentas para que as cidades se desenvolvam de maneiras econômica e ambientalmente corretas, buscando o apoio de cidadãos, organizações sociais, empresas e governos. Para que isso ocorra, o papel do poder público é essencial, tanto no âmbito municipal, como estadual e nacional. Ele deve atuar para que se proporcione adequadas condições a que se cumpra um programa de sustentabilidade, desde a criação e instituição de uma legislação até a realização de obras de infraestrutura e serviços à população. Devemos ter clareza de que a aplicação dessas estratégias não nos levará a um “desenvolvimento sustentável” do dia para a noite, deve haver uma conscientização e mobilização, para que esse desenvolvimento se concretize, ao longo de um processo. *GABRIELLA ALCALÁ GURJÃO é aluna do 5º ano do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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