Recentemente, li sobre a economia chinesa em uma revista de renome nacional. Fiquei impressionado com algumas informações, como a forma como lidam com a educação, a divisão do trabalho e a maneira de se aposentar. É um país treinado a obter resultados. Observando isso, pude entender por que um atleta chinês, há alguns anos, preferiu fingir que estava machucado a competir. Isto porque acreditava que, como não estava em plena forma, seria uma vergonha para o país a sua apresentação. Parece estranha para a cultura ocidental a maneira como o governo chinês pensa, mas é assim que funciona. E, tirando a parte ditatorial que priva os cidadãos da liberdade, não seria ruim se o Brasil seguisse esse caminho de busca por resultados. Na China, o governo dá os 12 anos de educação básica às crianças, entretanto se o estudante não apresentar um bom desempenho, a família paga ao Estado o ano reprovado. No Brasil, temos até universidade pública gratuita algo inexistente na China , mas há muitos estudantes que, infelizmente, não valorizam isso. Sendo assim, o universitário deveria pagar pelos estudos perdidos. Se não tiver dinheiro o que é a realidade de muitos -, paga com trabalho em escolas, creches, comunidades carentes, etc. Há certas pessoas que só mudam quando sentem no bolso. É da cultura brasileira: o condutor deixa de cometer irregularidades no trânsito não porque é errado, mas por receber uma multa. É engraçado: mexe no bolso, muda a história. A China não é o melhor país o mundo, muito pelo contrário. Aproximadamente 400 milhões de pessoas ainda segundo a revista estão na linha da pobreza e da miséria, ou seja, duas populações do Brasil. Porém, a forma como veem a vida e o trabalho faz com que diariamente mais gente saia dela. Aqui, foi necessário criar um sistema de doação direta de renda para que milhões de pessoas saíssem da pobreza. O que não é errado, afinal movimentou a economia, concedeu emprego e, acima de tudo, levou comida a quem passava necessidade. O problema é que, infelizmente, muitas famílias não observam nesse programa uma forma de sair da pobreza e, consequentemente, deixar a dependência governamental. Trata-se apenas de cultura. O ideal seria uma mescla de pensamento social brasileiro com a obsessão chinesa por resultados. Quem sabe uma sociedade ideal poderia ser criada? FERNANDO DUARTE é editor de Política do Diário
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