ARTIGO
Quarta-feira, 06 de Janeiro de 2010, 01h:04
A
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STEFFANIE SCHMIDT
Uma parte de mim
É claro que eu não sabia o que escreveria aqui, poucas horas antes de entregar o artigo. Acho que é o que acontece com a maioria que, na lida com a noticia diária, acaba sendo invadido por vários assuntos, todos urgentes, e quando tem de escolher um, não o consegue fazer. Da mesma forma eu não poderia imaginar que dentro desse pouco espaço de tempo decidiria me desligar da equipe do Diário para seguir em outra trincheira. Resolvi um problema. Achei o assunto do artigo, mas arrumei outro maior: controlar a saudade da equipe que funciona como uma família. Ao longo da minha breve carreira tenho lidado com essa história de saudade. Saí de Manaus, onde morei por um ano e meio, e voltei à minha terra natal há cinco meses. O grande responsável pelo retorno foi justamente o Diário, que me fez lisonjeada em me convidar para integrar a equipe, extremamente competente. A saudade da família foi resolvida, mas ficou a brecha no peito aberta por aquelas companheiros de luta que por lá ficaram. É fácil? Claro que não, por que, por mais que se saiba que os amigos ficam, independente de tempo e da distancia, a falta da convivência diária pesa. Compartilhar angustias, alegrias, risadas e piadas que alimentam a alma durante um dia difícil, faz falta. É como uma família com várias pessoas que, juntas, dividem boa parte do seu dia. Não quero citar nomes, mas cada um, ao seu modo, deixou marcas em mim. Lembro que me extasiava ao ouvir alguns sotaques mais cuiabanos, assim que cheguei de terras manauaras. Era como seu não me cansasse de me sentir em casa... Espero poder ter feito, ao menos uma vez, com que se sentissem parte de minha família também. Aqui, aprendi a ter mais calma para lidar com assuntos importantes. Está em mim ser desesperada, mas trabalhar a informação, às vezes rende mais do que se espera. Fica a lição. Tomando emprestado os versos de Ferreira Gullar ouso dizer que uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Não quero aqui me Traduzir, conforme sugere o titulo do poema. Apenas deixo, em forma de saudade, uma parte de mim. STEFFANIE SCHMIDT é repórter