Mato Grosso não cansa de bater recorde na produção de grãos. Sai das terras de Pascoal Moreira Cabral a maior parte da produção brasileira de soja, milho algodão e arroz em menor quantidade, além do etanol casado como o açúcar. Sem falar que o rebanho é também o maior do país. Tanta riqueza junto, seria de se esperar que os nossos governantes tivessem o mínimo de um bom senso para que houvesse uma infraestrutura razoável para o escoamento dessa imensa produção de dar inveja a outros países. Mas como vivemos no país da incompetência ou falta de visão temos somente uma rodovia de pista simples para o transporte. Os caminhões têm que dividir o espaço com automóveis, ônibus e outros veículos. O resultado é que essa estrada única se transformou na rodovia da morte. Para não serem acusados de caolhos, os nossos dirigentes já licitaram a duplicação da BR 163 que também leva o nome de 364. Em cinco anos teremos uma rodovia de primeiro mundo. Excelente ideia das cabeças pensantes. Nesse tempo, só Deus sabe o que vai acontecer e nossos produtores terão que fazer das tripas coração para conseguirem entregar a safra agrícola. Com certeza, o número de acidentes vai aumentar e muito. Planos não faltam. Ferrovia daqui e acolá, rasgando o país de norte a sul, leste a oeste e todas passando por Mato Grosso. Hidrovias também estão sendo cogitadas. Só faltou transporte aéreo. Claro que tudo isso no papel. Daí, tudo isso virar realidade todos tem uma única certeza um dia talvez. Fico imaginando o pessoal da Aprosoja em congressos mundiais nos quatro cantos do globo. Devem ser elogiados pela ampliação aritmética das safras agrícolas e da diversificação e da qualidade dos grãos. Na hora em que são indagados sobre a escoação dessa produção, devem pagar o mico ao contar a triste realidade. No mínimo, produtos de outros países devem entender como piada que Mato Grosso só tem literalmente um caminho e que BR 163/364 na verdade são duas denominações para uma só estrada. Ah, como faz falta um Prêmio Nobel da Incompetência. Seríamos eternamente imbatíveis. ADILSON ROSA é repórter