...antiamericanismo. Como não ter? O assunto foi ressuscitado nesta semana na reportagem do colega Rodrigo Vargas que trouxe uma entrevista exclusiva com Joe Sharkey, jornalista free-lancer e colunista do New York Times, que estava entre os passageiros do jato Legacy, que se chocou em setembro do ano passado, com o boeing da Gol. O pós-colisão todos sabem, o que está sem resposta até o momento é o que provocou o choque aéreo. Infelizmente, o colega norte-americano só se complicou e trouxe à tona o sentimento que reina mundo afora de antiamericanismo. A entrevista segue até que Rodrigo toca em três assuntos indigestos aos pilotos e ocupantes do Legacy: o sentimento de antiamericanismo, sobre o plano de vôo e o possível desligamento do transponder. Antes de responder a estas questões, Joe vinha explicando tudo como se esperava de uma testemunha ocular. Porém, na opinião do jornalista, não cabem mais as especulações sobre o cumprimento ou não do plano de vôo. Será que esta carta da rota aérea é apenas simbólica? Será que o cumprimento dela não foi o princípio de uma série de erros? Afinal, cabe aos ocupantes do Legacy contarem a verdade que lhes interessa. Mesmo porque é muito melhor culpar o transponder do que assumir desvio do plano de vôo e deixar clara a falha humana dos pilotos. Parece mesquinharia querer que a culpa seja dos norte-americanos, mas quem garante que eles não se preparam para culpar o Brasil, seja a Embraer, os controladores de vôo ou até mesmo os finados pilotos do Boeing? Afinal, tiveram tempo para isso e sabiam das conseqüências que viriam após o acidente. E vem a velha pergunta: se isso tivesse ocorrido no espaço aéreo dos Estados Unidos? Como nossos pilotos e passageiros seriam tratados? Joe condena a mídia brasileira. Mas como seria o tratamento, a investigação e as punições por lá? Somos brandos e morosos demais! Outro fato que me chama atenção foi Joe dizer que ao tomar pé da situação, tratou de sacar sua caneta e agir como um repórter. Minha interpretação é a de que naquele momento começava-se a escrever a história que queriam contar. Mas este incidente é apenas um fato dentro de toda uma história secular das imposições norte-americanas. Apesar da revolta, eles é que estão certos em se sentir os melhores, que fazem as coisas acontecerem em benefício próprio. Se tivéssemos esta gana pela superioridade, não estaríamos no olho do furacão de tanta denúncia, lama e impunidade. Soa até como inveja. Se fôssemos aguerridos como eles não agressivos e impiedosos como são na condução de políticas externas não estaríamos aqui há mais de um ano relatando as façanhas de Evo Morales sobre o Brasil e Mato Grosso. Falta vergonha na cara para instigarmos nosso sentimento de brasileirismo. MARIANNA PERES é editora de Economia do Diário