Passado os momentos de efervescências e todo o frenesi dos protestos que varreram o Brasil de Norte a Sul, é chegada a hora de voltar-se para a realidade e consequentemente começar a pensar em soluções possíveis para nossos problemas urgentes e emergentes. Foi lindo ver tantas mobilizações de protestos e indignação; o primeiro passo foi dado. Mas e agora? O que fazer? Não dá para fazer grandes manifestações todos os dias, temos que voltar ao trabalho, aos estudos, tocar a vida, coisa e tal. A presidente Rousseff já levantou a bandeira branca da paz e se posicionou aberta ao diálogo, além das promessas de que as demandas populares serão atendidas. Se isso de fato irá acontecer o amanhã nos dirá. Precisamos de lucidez e pragmatismo para não nos iludir mais uma vez. Para o momento eu fico a refletir se esse descontentamento irá refletir nos resultados das eleições majoritárias para o Congresso Nacional em 2014. Porque um dos motivos das diversas manifestações país afora, foi à problemática da corrupção e a ineficiência de nosso legislativo, que tem como resultado desastroso um executivo soberano e que age com altivez como se fosse um poder absoluto. Já que há insatisfação, seria compreensível renovarmos em ao menos em 80 % nossos legislativos, seja em âmbito estadual ou federal. Não adianta protestarmos e reivindicarmos mudanças se quando formos às urnas no ano vindouro nos comportamos de maneira a endossar o trabalho dos atuais parlamentares, votando nos políticos que aí estão esquecendo que saímos às ruas nas duas últimas semanas, contra a atuação pública da maior parcela dos atuais parlamentares. Seria um retrocesso tamanho não aproveitar da ocasião para uma Reforma Política. É necessário um aggiornamento, a começar com uma faxina radical na Câmara Federal e no Senado, esse que para próxima eleição em tese poderá ser renovado em um terço. É preciso ter rumo para fazer a mudança acontecer. O movimento não pode ficar restrito ao direito de reclamar. Eu penso que é essencial dar um recado firme e direto aos nossos políticos. É necessário que eles saibam que essa insatisfação foi fruto de anos de decepções e que agora não os queremos mais, que precisamos de pessoas novas e abertas para o diálogo, além-claro de pessoas que de fato estejam preocupadas e empenhadas em representar a nação, defendendo os interesses difusos e pressionando os gestores públicos, a trabalharem unicamente em prol do bem comum. Se esse Congresso que aí está não sabe exercer a sua função legislativa com maestria, então é urgente substituí-lo. Não podemos mais tolerar gente incompetente e descompromissada com as causas sociais, ocupando a função de legislador. Precisamos sim de pessoas que queiram evoluir, que queiram um país melhor, um país com menos impostos e mais serviços de qualidade, um país com um sistema de educação que de fato forme cidadãos de verdade, cidadãos conscientes e competitivos. Na ausência do que fazer a senhora presidente Rousseff tem feito pronunciamentos eleitoreiros um atrás do outro prometendo transformar o Brasil do dia para a noite. Mas será que é fácil assim? Que se pode transformar a realidade perversa de um país através de medidas provisórias? Penso que não. Vejo nos pronunciamentos da presidente Rousseff muita demagogia e pouco pragmatismo. Para ultimar é necessário reafirmar a necessidade desse gigante que diz ter acordado continuar bradando forte e consequentemente ser o agente promotor e fiscalizador da mudança. Pois só assim terá de fato válido a pena ter ido para ruas e como prêmio recebido o spray de pimenta na cara. Eu acredito na mudança e espero que ela se materialize. *JOEL MESQUITA cientista social
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