O Sindicato dos Bancários e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro no Estado de Mato Grosso (Seeb/MT) está enfrentando uma briga absolutamente justa com o Banco do Brasil, na qual além de defender o servidor do banco que, a cada dia, vem tendo o seu trabalho desvalorizado, defende também, com muita propriedade, o respeito ao cliente. O que se percebe a olhos vistos é que quanto maior o lucro, menos funcionários, e pior o atendimento. Houve época em que o sonho de todo jovem era ser funcionário do Banco do Brasil, e toda mãe com filha casadoira era ter um funcionário do banco como genro. A exposição mais lógica, patriótica e inteligente que eu tive oportunidade de ouvir sobre a finalidade do Banco do Brasil foi feita pelo então candidato, Jânio Quadros, num comício em Goiânia na campanha presidencial de 1960. Jânio disse, na ocasião, que no seu governo o objetivo maior do Banco do Brasil seria o fomento: incentivo à agricultura, pecuária, indústria e comércio. No entanto, o Banco do Brasil tornou-se um banco como qualquer outro visando apenas e simplesmente lucros. Só que na medida em que aumenta o lucro diminui a qualidade do serviço e arrocha mais os salários. O Banco do Brasil é um dos carros-chefes do desrespeito à cidadania: Virou moda municípios e estados, todos os poderes, venderem as contas-salário. O poder público ganha, o banco ganha tudo à custa dos servidores públicos, mas nem os municípios, nem os estados ou qualquer pessoa jurídica de direito público que negocia suas conta-salário se preocupa em acompanhar, fiscalizar a qualidade do serviço prestado. Acontecem coisas absurdas no Banco do Brasil. Num desses carnavais passados, a agência de Alto Araguaia ficou cinco dias, durante todo o carnaval, sem dinheiro nos caixas eletrônicos. Lembro-me ainda de ter encontrado um senhor que passava para Rondônia com a mulher e três filhos, e que ficou desesperado na porta do banco. Como me pareceu uma pessoa de bem, levei-o até o hotel de um amigo, que descontou um cheque para ele. Imagine uma pessoa numa cidade estranha se deparar com uma situação dessas. No dia 5 próximo passado, havia 100 pessoas na fila na agência Goiabeiras. É uma agência em que recebem aposentados e pensionistas e não há a menor preocupação em aumentar o número de caixas. Inclusive, é uma das agências com maior ocorrência do assalto chamado saidinha de banco. Os bandidos ficam na fila, assistem aos saques e dão a dica para os comparsas fora do banco que ficam sabendo a quem assaltar. Não há por parte do banco a preocupação de ter pelo menos um caixa num local mais seguro para o saque de maiores quantias sem tanta exposição e perigo. Se no dia 05 (cinco) havia filas quilométricas, no dia 06 (seis) pela manhã só havia dois caixas eletrônicos funcionando. O funcionário do banco fica entre a cruz e a espada, sob fogo cruzado. Segundo o manifesto do Seeb, fica por um lado à população sofrendo com as longas filas, cobrança de altas taxas e tarifas, e na outra ponta os funcionários sobrecarregados, estressados, e ficando até doentes. Até porque, quem suporta as broncas, as reclamações dos clientes é o funcionário. Os diretores ficam no ar-condicionado em Brasília e dane-se o servidor, dane-se o correntista. O povo, ora, o povo. Quando os bancários entram em greve a população reclama. É uma briga que todo mundo tem razão: tem razão o cliente que necessita dos serviços bancários e têm razão os bancários. No entanto, como a corda só arrebenta do lado mais fraco, as greves não vão adiante e fica tudo como dantes no quartel de Abrantes. A população, na verdade, tem que se mobilizar começando com os sindicatos batendo às portas da justiça para exigir o direito do servidor, seja público, seja das empresas privadas, de receber seu salário no banco que melhor o atende. Portanto, oportuna e pertinente à bandeira desfraldada pelo sindicato: transformar o Banco do Brasil em um banco para o Brasil. * PEDRO LIMA é analista político e advogado. Escreve neste espaço aos sábados
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