Algumas coisas estão bem claras na economia mundial e no próprio comportamento do mundo. Uma delas é que daqui para a frente cada vez mais se discutirá a equação alimentos e energia. Outra, é que cada vez mais se discutirão questões ligadas a essa equação: aumento de produtividade, intensificação das tecnologias, a sustentabilidade da produção e, por fim, as questões de mercado. A visão mundial de sustentabilidade será cobrada intensamente dos países produtores. Entende-se como sendo a visão econômica, a visão social e a visão ambiental. Sem isso, o mundo criará cada vez mais barreiras, porque lá na ponta o consumidor também está exigente. Na sua visão, a sustentabilidade significa qualidade de produtos e de vida para si e para quem estiver envolvido nos processos produtivos. O mundo nunca mais será mesmo dos anos 90 e nem mesmo dos primeiros cinco anos deste século. Quebraram-se paradigmas seculares nessa nova forma de se enxergar o planeta e de se ter qualidade de vida. Contudo, se isso significa pressões por qualidade e por sustentabilidade, significa também que o mundo comerá mais, gastará mais energia e dará oportunidades a quem se enquadrar nos novos paradigmas. Posto isto, o Brasil é um player de muito peso nos mercados mundiais. Foi outra coisa que mudou demais nesses últimos cinco anos. O Brasil se equipara aos países maiores produtores de alimentos do mundo. Logo, cai na rede da competição por mercados, nas exigências da sustentabilidade e na qualidade do que produz. O mercado mundial olha com dúvidas sobre o Brasil. É uma potência em possibilidades, mas vive contradições muito sérias como a garantia de que será sustentável e as incertezas jurídicas que hoje ameaçam a economia. O governo brasileiro é profundamente regulamentador e todo mundo sente, aqui dentro e lá fora, que existe uma enorme incerteza jurídica sobre tudo. Salva-se a certeza de que o Brasil é uma democracia moderna, mas tem-se, também, a certeza de que o país vive mal juridicamente. Mesmo assim, as questões da produção de grãos, de carnes e de biocombustíveis são absolutamente certas na visão do mundo. Internamente, se discutirá daqui para a frente um conceito novo, o da agroenergia, que são os desdobramentos do etanol. Em artigo próximo tratarei do assunto. Mas neste, é preciso lembrar, ainda, que o etanol será o novo paradigma da indústria química no próximos anos, invadindo os setores de plásticos, de pvc e de energia elétrica. Ao lado disso, estamos falando de tecnologias novas e de novos processos de integração produtiva. A Embrapa levantou mapas muito delicados da ocupação fundiária do Brasil, que significam profundas limitações nisso tudo, embutidas na burrice de setores governamentais, nas pressões ambientais externas e na ideologia de setores radicais do governo brasileiro. Superpondo mapas de reservas indígenas, de reservas legais das propriedades, de reservas naturais e de parques, o Brasil está produzindo economicamente no segundo andar, porque o primeiro está completamente impedido. Estados como São Paulo, por exemplo, estão completamente ilegais porque as áreas de proteção criadas posteriormente à ocupação dos últimos 50 anos, cobrem quase todo o estado, tornando-o passível de interdição, do mesmo modo que a maioria de todos os estados brasileiros. Mas isso faz parte do ideologismo governamental, assunto de próximo artigo. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste
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