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ARTIGO
Quinta-feira, 10 de Junho de 2010, 21h:22

RENÊ DIÓZ

Troço chato

Andaram comentando esses dias como está difícil ver uma peça no Cine Teatro de Cuiabá. O assunto dá pano prá manga, ainda mais numa semana em que flanelinhas são cadastrados pela polícia e uma casa histórica da família Mendonça é derrubada supostamente para que seu terreno se torne mais um estacionamento rotativo, como também andaram dizendo. É que, de noite ali no “centrão” da cidade, coisa mais comum é o sujeito ficar cabreiro de estacionar nas poucas vagas que encontra por uma série de riscos: ao voltar, pode encontrar o veículo judiado por riscos, no sentido literal; com os vidros quebrados, alvo de furtos (depois do aparelho de som, a moda agora é pneu estepe); ou, pior, o mesmo sujeito trabalhador pode acabar não encontrando carro algum no lugar onde deixara o seu possante financiado. Para evitar dor de cabeça, as alternativas são poucas. Praticamente todo ponto da vida noturna em Cuiabá está rodeado dos ditos flanelinhas. Então, caso eles de repente apareçam por perto, é quase obrigatório se submeter àquela coerção. Senão, o jeito é sair pra algum lugar onde haja por perto os tais estacionamentos rotativos. Flanelinhas e estacionamentos rotativos: quase que males necessários em ruas inseguras e insuficientes diante do absurdo número de carros. Os primeiros são um problema de segurança pública, argumenta a polícia ao cadastrá-los, mas a multiplicação dos segundos em qualquer canto dá conta de quão urgentemente precisamos de transporte coletivo decente, de dia e de noite, suficiente para deixar os carros nas garagens; não esse modelo saturado, como sempre insiste a ASSUT. Afinal já pagamos para que saiam do papel as leis que determinam a existência de um sistema como tal. Penso nisso toda vez que me vejo sem opção à noite no Centro desta cidade, gastando com flanelinhas de preços “tabelados” (ousam até fixar preços!) ou com os rotativos. Nessa brincadeira, vou aumentando profundamente minhas chances de virar em definitivo um tremendo pão-duro. E com razão, pois vivemos em uma cidade onde a iniciativa para mudanças sérias e obras de grande alcance, como aplicar finalmente uma nova e moderna mobilidade urbana, só existe devido a um evento internacional que, dizem, pode até miar. É fazer da Copa um PAC. Será que, desta vez, a coisa anda direito? Não sou louco de torcer contra. Por isso, resta esperar que, até 2014, haja segurança pública de verdade nas ruas para que não seja preciso esvaziar tanto as carteiras com vaga pra carro. Haja dó de nossos bolsos, porque o Faixa Verde já sai caro. Ah, e com tanta coisa bacana pra construir, por favor, não transformem aquela casa – agora que já derrubaram – em mais um estacionamento rotativo. Troço mais chato. *RENÊ DIÓZ é repórter

Edição EDIÇÃO 16968




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