NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 25 de Outubro de 2014, 14h:27

RENATO DE PAIVA PEREIRA

Trocando Voto por Vantagens

Os membros das classes sociais abastadas costumam acusar os mais pobres de trocarem votos pelo bolsa família. É atitude clássica de quem “enrola o rabo e senta em cima”. Se eles (os pobres) “vendem” nós também “vendemos”. O que varia é o preço. Alguns votos valem uma sexta básica, outros um emprego público. Há ainda os que o trocam por diminuição de impostos, incentivos fiscais ou empréstimos subsidiados. Industriais, por exemplo, reclamam um governo mínimo. Lutam por diminuição dos impostos, taxas e encargos. Eles tentam eleger os que lhes prometem isso. Ou, dito de outro modo, trocam o seu apoio por uma vantagem financeira. Servidores públicos querem aumentar o tamanho da máquina governamental, ampliar a atuação do estado, melhorar a oferta de empregos, regulamentar tudo, dirigir as pessoas. Buscam um candidato comprometido com a valorização da categoria, recuperação dos salários e benefícios sociais. Estudantes votam nos que garantem passe livre; artistas, nos defensores de incentivos culturais. Profissionais liberais querem eleger os que não se metem na vida deles; aposentados, pedem o fim do fator previdenciário. Os mais pobres almejam um governo distribuidor de benesses. Eles querem creches, escola em tempo integral, hospitais que funcionem, casas populares, bolsa família e vale alimentação. E assim cada estrato social tem demandas diferente e luta por elas. Nas eleições essas desigualdades aparecem com mais força. Aí os candidatos calibram o discurso para ampliar os votos, prometendo atender aos anseios de cada segmento. Se cada um “troca” seu voto pelo benefício imediato: emprego, passe livre, diminuição dos impostos, financiamentos, incentivos fiscais ou culturais, por que somente os que o trocam por alimentos e remédios são acusados de venais? Culpar os pobres do Norte e Nordeste pela escolha de um presidente que nós, os mais “inteligentes” julgamos ruim, é pura discriminação. Eles estão defendendo seus legítimos direitos de socorrer as necessidades mais prementes e a sobrevivência da família. Se isto é ou não sustentável está muito além de sua capacidade de entender. A escolha deles pode estar errada, e muitas vezes está mesmo, mas não nos cabe emitir esse juízo de valor. *RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL