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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011, 20h:03

JOSÉ ANTÔNIO MEDEIROS

Travou!!!

Desde que o Windows surgiu em nossas vidas, o termo “o sistema travou” passou a ser uma coisa bem familiar. Observando a discussão sobre qual dos veículos será utilizado no projeto de mobilidade de Cuiabá, observei que a coisa travou. Pra explicar o porquê do impasse recorro a João Saldanha, ex-técnico da seleção brasileira, que disse: “se mandinga valesse alguma coisa o campeonato baiano terminaria empatado”. Diferente da Bahia em Cuiabá, uns times "jogando" (VLT e BRT) e realmente possuem “mandigas” que funcionam. Observem que a toque de caixa o BRT havia sido escolhido. De repente veio com força avassaladora o lobby do VLT. O presidente da Agecopa, na velocidade da luz, anunciou que o escolhido fora este veiculo, passando por cima do governador, inclusive. Quando todos achavam que a coisa estava definida, eis que o BRT deu a volta por cima e veio de cima pra baixo, com um aliado forte: o governo federal. Este é o roteiro do “travamento” do sistema. Mandinga forte é assim, o placar vai dar empate. É óbvio que ninguém vai admitir que estejam rolando promessas de altas somas por trás do palco. Mas numa peça teatral, tudo que o roteirista não pode fazer é subestimar a inteligência do público. Tá ficando feio! Temos uma agravante nesta discussão: o principal interessado não foi chamado pra o debate. Eder, Silval, Blairo e Riva não vão usar este meio de transporte, então me parece que além deles também deviam ser inseridos os passageiros na discussão. Neste raciocínio poderiam ser trazidas as duas propostas de mobilidade, inclusive já com os projetos completos mostrando de que forma esse “minhocão” será alimentado. Esta discussão se faz necessária, pois temos oportunidade única de destravar o trânsito da capital. Se for criado um sistema de transporte de qualidade, nos moldes existentes em países como o Japão, pode ter certeza de que ninguém vai arriscar a vida em cima de motos. Entretanto se não ficar claro ao passageiro, que haverá mudança total, ele continuará migrando pra outros modais de transportes. Se o projeto de transporte for bem-feito, com linhas alimentadoras que atendam com qualidade o passageiro, o preço passará ser visto como investimento e não despesa, pois o que temos de prejuízo em termos ambientais e de saúde devido a nossa forma de nos locomover. É uma fábula. Entristece-nos saber que não é nada disso que está posto na mesa para se discutir. Todos sabemos que infelizmente o poste continuará “mijando” no cachorro e o ônibus continuará passando a hora em que quiser e o passageiro continuará sendo transportado como sardinha em conserva. O Windows é chamado às vezes de Ruindows, mas, no caso dele, temos sempre a opção de formatar. E neste caso, teremos? *JOSÉ ANTONIO DOS SANTOS MEDEIROS - ex-professor de Matemática formado pela UFMT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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