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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006, 21h:10

CELIO FERNANDES

Transporte público ou privado?

Tenho acompanhado as discussões a respeito do transporte coletivo em Cuiabá, e acredito que em uma coisa todos concordamos, para que um serviço seja prestado com a qualidade esperada ao preço que o cliente esteja disposto a pagar, devem existir: Investimentos estruturais constantes (frota de veículos, vias de circulação, pontos de espera, etc); e Investimentos que resultem na satisfação do cliente, (facilidade de acesso e informação dos serviços, treinamento dos atendentes, higiene e limpeza, conforto, comodidade, etc.). Então teríamos de um lado o cliente utilizando e pagando por um serviço de qualidade a um preço justo e de outro um fornecedor satisfeito pelo retorno de seus investimentos, ou seja todos ganham! Vejam que eu não defendi um sistema público ou privado, mas um método natural das coisas acontecerem. Agora vamos olhar para o sistema público, pegando o exemplo da segurança. O fornecedor é o governo (municipal, estadual ou federal, nem quero entrar na discussão dos papeis de cada ente federativo) e o cliente é o cidadão. Será que o cliente sabe o que ele quer da segurança? É claro que sabe, ele quer ir e vir sem ser assaltado, ele quer que ninguém lhe roube o fruto de seu suor, que ninguém lhe tire a vida ou dos seus, etc. E o fornecedor está produzindo resultados melhores em função dessa distancia entre o que o cliente quer e o que ele tem de fato? A resposta é NÃO! Será que o cliente não tem dito ao fornecedor que a conta do serviço está muito alta, (40% de carga tributária)? Neste caso tem o cliente alguma alternativa de mudar de fornecedor? Ele pode deixar de pagar o imposto ao governo para transferir este recurso a um fornecedor privado? A resposta também é NÃO! E isso não funciona porque é público, ou porque nós temos permitido que o público não funcione? Porque será que funciona na Suíça, no Canadá, e em tantos outros países? e se não funciona na segurança, porque haveria de ser diferente no transporte coletivo? Agora vamos olhar para o sistema privado, com o mesmo exemplo da segurança. O fornecedor é uma empresa de segurança e o cidadão é o cliente. A diferença começa pela determinação do tipo de serviço desejado (guarda armado ou não, vigilância eletrônica 24 horas, circuitos internos com controle via satélite, serviço de inteligência, etc), e do preço a ser pago, o que é feito apenas mediante acordo entre as partes, (essa deveria ser a lógica de qualquer contratação pública). De um lado o fornecedor só aceitará fornecer seu serviço se houver lucro, (empresa que não gera lucro, também não gera emprego, não faz investimentos, enfim está falida), de outro o cliente pode concordar com o preço ou procurar outro fornecedor, o que é lícito, justo e comum de acontecer, pois a qualidade e quantidade do serviço mudam com o preço. Quando uma parte não cumpre o acordo, também é lícito que haja um rompimento natural, e um novo acordo será buscado no mercado, e novamente quem oferecer o melhor custo/benefício vencerá. (vejam que não falei em subsídios, incentivos fiscais, sonegação e outros mecanismos de concorrência desleal, considerei aqui apenas a lógica de uma concorrência leal e legal). Dá para perceber que existem semelhanças e diferenças entre o modelo de prestação de serviços públicos e o modelo praticado pelo mercado. Mas então o que está errado? No caso do transporte coletivo, ou em qualquer outro negócio contratado pelo governo, a lógica do cliente deve ser obedecida, ou seja o governo, eleito para nos representar, deve contratar a empresa que forneça o melhor serviço ao menor preço, pois somos nós quem pagamos, tanto o vale transporte, pelo pagamento direto, quanto o passe livre, pagamento indireto por meio dos impostos. Também cabe ao governo fazer com que as empresas cumpram os acordos firmados e caso contrário faça o rompimento, em defesa da sociedade. Finalizando, como empresário, não dá para admitir pensar em privatização do transporte coletivo, mas igualmente não dá para admitir contratos fraudulentos, concessões ilegais e que o serviço não seja prestado com a qualidade merecida pela população a um preço justo, que esteja disposta a pagar. A solução para essa situação passa por um alinhamento dos interesses da sociedade, através dos movimentos organizados e suas lideranças, e uma atuação conjunta em prol da transparência nos contratos e licitações públicas, da ética e da moralidade dos nossos representantes públicos pela defesa dos interesses de toda sociedade. * CÉLIO FERNANDES é Presidente do Fórum dos Empresários de Mato Grosso( Foremat)

Edição EDIÇÃO 16968




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