ARTIGO
Quinta-feira, 03 de Março de 2011, 21h:45
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ROBERTO CARLOS MAYER
Tic, Tac: Dil-ma?
O relógio da história (tic, tac) é implacável: o segundo mandato presidencial de oito anos já é parte da história. Qual será o impacto da nova gestão sobre o setor de TICs? Como a campanha eleitoral omitiu o tema, só temos o discurso de posse da presidente Dilma no Congresso Nacional como fonte. Ela mesma afirmou depois que ele contém um resumo das prioridades de seu governo para cada área. Então vasculhei o discurso em busca de pistas, e compartilho aqui meus 'achados'. Uma análise numérica das palavras revela que tecnologia foi citada quatro vezes. Brasil e/ou brasileiro/a teve 64 citações. povo teve 15, ´mulher´ teve 10, saúde teve oito, educação teve 5, internacional duas e informação apenas uma! A única citação explícita à tecnologia da informação cita seu uso intenso ... a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte. Vejo aí um Leão cada vez mais voraz: o big brother fiscal, com o monitoramento online das receitas, da contabilidade e dos estoques das empresas. Torço para que o elevado respeito se transforme em leis de proteção ao contribuinte: a implemen¬tação do SPED Fiscal, NF-e e agregados está baseada apenas em uma Emenda Constitucional (que permitiu o compartilha¬mento de dados sobre os contribuintes entre diferentes órgãos do governo) e um conjunto de portarias (na sua maioria da Receita Federal). Ou seja, esse quadro está juridicamente incompleto: não há Lei Complementar nem Lei Ordinária sobre o tema, que defina p.ex. limites para o uso dos dados coletados. Só um exemplo para pensar: os estoques de um insumo necessário à produção podem ser usados para autuar a empresa fornecedora, se os impostos pagos por esta parecerem incompatíveis com as vendas para seu cliente? As três citações restantes da tecnologia fazem alusão à qualidade do ensino para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento além da qualidade, será preciso ensinar tecnologia! , à capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras isto é, por órgãos de governo novamente , e, finalmente, no forte apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico (confiado a um Ministro político, formado em Economia, e derrotado nas eleições). Fiquei frustrado pela omissão dos planos para a TV Digital e o Plano Nacional de Banda Larga. O uso da TI para tornar toda a economia mais eficiente (não só o Estado!), também não foi citado. Queremos saber por quê! * ROBERTO CARLOS MAYER é diretor da MBI, vice-presidente de Relações Públicas da Assespro Nacional e representante do Brasil junto à ALETI (Federação Ibero-Americana das Entidades de TI).