O grande teste para o governador Silval Barbosa demonstrar sua habilidade política e confirmar o status de liderança maior do Estado está se aproximando: as eleições municipais deste ano. Da qual, conforme suas próprias palavras, ele, na condição de político, não poderá se omitir de participar. Principalmente no caso dele, de governante eleito que foi, obviamente, pelo voto disputado em batalha eleitoral. A priori, já sinaliza sua participação nesse processo de uma forma correta, quando declara que, naquelas cidades onde existirem mais de um aliado disputando as eleições, vai manter uma postura de neutralidade. No mínimo, ele dá uma demonstração de lealdade com as forças e grupos que participaram da sua campanha e, consequentemente, o ajudaram a se eleger governador. Mais especificamente, com relação à Capital, onde haverá segundo turno, ele pelo que li em uma entrevista sua disse que só irá manifestar seu apoio apenas no segundo turno. Mantendo-se neutro na primeira fase, isto é, caso persista a tendência de existirem mais de um candidato da mesma base. Essa situação de disputa entre aliados, por sinal, envolve não apenas Cuiabá, mas quase todos os municípios mato-grossenses e onde a maioria dos enfrentamentos ocorrerá entre candidatos que estiveram juntos no apoio a Silval Barbosa para governador. Nessas circunstâncias, não é cômoda a situação do governador, porque, em várias situações, ele, para não cometer injustiças com companheiros mais fiéis e firmes, terá a difícil missão de separar o joio do trigo... E fazendo isso dentro da mesma peneira, pois, como bem o sabemos, existem aliados e aliados. Discernir quem é quem entre passageiros do mesmo barco, separando eventuais caronistas daqueles com os quais sempre pode se contar, pois que estão dispostos a remar contra as correntezas, é tarefa que exige sensibilidade aguçada, aliada ao dom de gratidão e reconhecimento. Fazer essa separação da maneira mais justa talvez seja o grande exercício dessa arte chamada política. Sair-se bem nessa equação é o que consagra as grandes lideranças, distinguindo-as das demais. Considerando este contexto, mais do que saber quantos aliados vai eleger, o que está em jogo e será avaliada é a conduta de Silval nestas eleições, fato que pode interferir em seu futuro político. De um homem ainda relativamente jovem e que, entre erros e acertos políticos e administrativos, está burilando sua experiência no desempenho do cargo mais importante de Mato Grosso o de governador. E que só se poderá saber se foi bom ou mau governante pelo conjunto da sua gestão, ou seja, pela média (e não confundir, por favor, com a mídia) do seu desempenho - e jamais por aspectos pontuais do seu governo, sejam eles fatos positivos ou negativos. Ser aprovado nesse teste, portanto, exigirá de Silval Barbosa a capacidade para entender que, por mais que se esforce, jamais irá conseguir agradar a gregos e baianos. Vai ter que optar! Tendo em mente que o importante, especialmente para ele, é passar pela prova com o mínimo de arranhões e desgastes. O resto, o tempo ajeita... Mário Marques de Almeida - jornalista www.paginaunica.com.br
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