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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 03 de Dezembro de 2011, 11h:53

GUSTAVO OLIVEIRA

Sou pentacampeão!

Na minha infância, ao longo da década de 1970, era comum que nós, cuiabanos, torcêssemos para três times de futebol: um do Rio, um de São Paulo e uma equipe daqui – Mixto, Operário ou Dom Bosco. A ligação com o futebol do Rio era mais antiga. O Rio era o local de férias das famílias mais abastadas financeiramente de Cuiabá, além disso gerações de cuiabanos foram mandadas para estudar na antiga capital federal. De volta a Mato Grosso, depois das férias ou com os títulos de médico, engenheiro, contador ou advogado, traziam a paixão por algum clube da Cidade Maravilhosa. A ligação de Cuiabá com São Paulo é mais recente e foi moldada pela leva de imigrantes paulistas que para cá vieram e trouxeram a paixão por seus times. Naquela época até os times locais também conseguiam mobilizar uma multidão de torcedores. Lembro-me de que era comum ter mais de 30 mil torcedores – que na época significava um quinto da população de Cuiabá e Várzea Grande – em qualquer jogo em que se enfrentavam Mixto, Operário e Dom Bosco. Craques locais como Ruíter, Pelezinho, Bife, Luiz Carlos Beleza, Rômulo, Toninho Campos, Adilson, Barga, Betega, Pastoril, Miro, Fidélis, Mão de Onça e Tostão despertavam a mesma paixão de um Zico, Rivelino ou Roberto Dinamite, nos jovens cuiabanos. Bons tempos! A gurizada de hoje nada sabe sobre o futebol local, que praticamente inexiste. A torcida da nova geração de cuiabanos é para uma equipe de São Paulo ou do Rio, ou até mesmo uma agremiação do Sul do país – como tem tanto torcedor do Inter e do Grêmio! –, mas para uma equipe apenas. Eles ainda gozam nas pessoas que, como eu, torcem para mais de time de futebol. Além de torcer por uma equipe apenas, vejo que nas próximas gerações há um sério risco de que esse time esteja na Europa. A ‘Uefa Champions League’ anda despertando, em muitos jovens torcedores, mais interesse do que o Brasileirão. A geração de hoje conhece mais os jogadores do Barcelona e do Manchester United do que a maioria dos times país. Tomara que as coisas mudem. Quem sabe a Copa por aqui e o vigor da nossa economia turbinam o futebol nacional e até mesmo o local? A vantagem de torcer para mais de um time é que hoje, por exemplo, não vou sofrer nada enquanto estiver sendo decidido quem será o novo campeão brasileiro. Afinal, como bom cuiabano, sou Vasco no Rio e Corinthians em São Paulo. E Mixto, aqui em Cuiabá. Entro na última rodada como pentacampeão, para tristeza de meu filho mais velho, uma fanático torcedor do Corinthians – apesar de eu ter lhe dado uma camisa do Vasco como o primeiro presente ao nascer. Coisas da vida! * Gustavo Oliveira é diretor de Redação do Diário. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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