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ARTIGO
Terça-feira, 29 de Maio de 2012, 20h:39

PAULO LEITE

Soletrando

EGÓLATRA... Definição: “adorador de si mesmo; egoísta”. Vocês conhecem alguém com estas características no cenário político regional? Pois eu, sim! Chama-se Mauro Mendes. Seu principal traço é, justamente, mover-se em função de seus interesses pessoais. Majestático, ele demonstra pouco apego às necessidades da maioria de seu grupo; pensando exclusivamente em si. Imagina-se imbatível. Considera-se imprescindível e até mesmo “escolhido”. Para ele, a opinião de seus aliados é um mero atalho para atingir seus objetivos. Mauro sente-se o ungido. Messiânico, espera uma legião de admiradores. Nada que não seja o culto à sua personalidade lhe agrada. Mauro Mendes tem uma peroração alicerçada pelo “Eu”. Eu posso, eu faço, eu sou, eu, eu, eu... Nos diálogos que vem mantendo sobre a sucessão cuiabana, o pré-candidato do PSB demonstra um domínio impressionante sobre a razão. Uma frieza polar. Seus argumentos giram em torno de seu preparo e de seu talento administrativo. Ninguém pode desconhecer a inteligência de Mauro Mendes, seu tirocínio e sua agilidade intelectual. Sua própria trajetória empresarial denota sua invulgar capacidade de gestão. Mas, aqui, chegamos ao ponto crucial deste axioma. Não estamos falando de gestão, mas sim de eleição... Os signos eleitorais são difusos e muitas vezes antagônicos. Eleição pressupõe a contraposição de valores inalienáveis. Eleição pressupõe democracia. E, como avisou Alceu de Amoroso Lima, “A democracia é o regime da convivência e não da exclusão”. Quem se submete ao voto, também está se permitindo a um julgamento público. Humildade, sinceridade e capacidade de entrega ao bem comum são virtudes imprescindíveis neste escrutínio. A submissão aos valores democráticos é condição essencial para trilhar a estrada eleitoral. Paciência, dedicação ao diálogo e renúncia aos interesses pessoais são fatores relevantes para o sucesso desta empreitada. Pois, a inteligência numa campanha eleitoral é, justamente, absorver a inteligência da maioria. Quanto mais o candidato representar o senso comum, em detrimento de sua própria vontade, mais ele se converte na voz da comunidade. Portanto, democracia é a arte da coexistência, o culto a convergência e a celebração da comunhão entre os desiguais. No regime democrático, principalmente no cenário eleitoral, não há espaço para imposições, ultrapersonalismo ou mesmo absolutismo. Por isso, Mauro Mendes precisa se reeducar. Ele é um grande candidato, quase um vitorioso, desde que deixe de ser Mauro Mendes, o ególatra, e passe a compreender um pouco mais as perspectivas da sociedade que anseia representar. Cuiabá não é a Bimetal, o seu case de sucesso. Nem tampouco, nossa gente pode ser vista como números frios de uma estatística empresarial. Afinal, as torres caem. Mas a dignidade do povo sempre se mantém em pé. *PAULO LEITE é jornalista, publicitário e escritor

Edição EDIÇÃO 16962




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