Uma pátria livre da violência plasmada de fronteira em fronteira internacional. Um povo devidamente protegido contra a falange dos bandidos deveras banidos dos cotidianos metropolitanos em convulsão mais que social. Um regime político capaz de garantir a segurança pública elencada além de um dever estadual. Um Congresso Nacional atuante em medidas legislativas de caráter mais que emergencial. Um covil de traficantes desarticulados além de um morro ocupado temporariamente. Um país governado mediante a escolha de um eleitorado que elegeu pela maioria além da primeira mulher para o cargo de presidente. Mais do que uma raposa inglesa perseguida em caçada real. Mais do que uma carcaça humana em estado de decomposição decorrente de uma arma em nada artesanal. Mais do que um corpo estendido no acostamento de uma avenida tomada de arrastão em arrastão pontual. Mais do que uma esmola recolhida de sinal em sinal. Mais do que uma folha salarial devassada em direito trabalhista. Mais do que uma capa de revista sensacionalista. Mais do que o mapeamento das bocas de fumo fechadas pelo policiamento constante constatado. Mais do que uma arma de grosso calibre nas mãos de um traficante de longa data procurado. Enquanto isso, cargos amplamente comissionados são contemplados para a lotação dos gabinetes dos eleitos pelo voto livre, secreto e universal. Enquanto isso, a brincadeira de esconde-esconde volta a ser a preferida dos ocupantes dos palácios e dos parlamentos erguidos em território nacional. Enquanto isso, os cães ladram e as caravanas voltam ao ponto inicial. Enquanto isso, não adianta a corda sem a caçamba. Enquanto isso urge mais do que uma proposta política além de um bambolê de tiras arrebentadas nas avenidas de um mesmo samba de carnaval em carnaval. Enquanto isso, vidas humanas consideradas sem valor primordial. Mais do que uma tranca na porta ou uma tramela na janela. Mais do que um banco numa praça de um jardim artificialmente florido. Mais do que uma panela com o arroz e o feijão de cada dia. Mais do que uma cidade maravilhosa em verso, prosa e melodia. Mais do que uma agonia coletiva em grito derradeiro. Mais do que um direito do povo brasileiro. Mais do que um obreiro da paz social. Mais do que um agente prisional. Mais do que uma delegacia atuante de ocorrência em ocorrência policial. Mais do que uma força policial militar e civil. Mais do que um PEC Projeto de Emenda Constitucional pela igualdade salarial no Brasil. Enquanto isso, de soldo em soldo miseravelmente salariado, fechamos os olhos para o futuro dos infantes desde outrora recrutados pelas facções criminosas armadas que difundem o consumo em nada moderado de toneladas e toneladas de substâncias classificadas como entorpecentes pelo Código de Processo Penal em vigor. Enquanto isso, mais do que uma guerra remendada ou finalizada pelo poder de voto do legislador. *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá
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